Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 10/10/2021

O avanço da fronteira agrícola no Centro-oeste, ocorrido principalmente na segunda metade do século XX, depois da Revolução Verde, proporcionou um forte crescimento econômico para esse setor e aumentou a competitividade do Brasil no mercado global. Entretanto, tal avanço não trouxe consigo apenas consequências positivas, uma vez que são notáveis as polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil. Nesse sentido, pode-se dizer que não só o significativo impacto ambiental é consequência dessa transformação, mas também a ampliação de conflitos no campo. Assim, torna-se necessária a análise da problemática, a fim de reverter o impasse.

Em primeiro plano, é importante destacar que o avanço da fronteira agrícola acaba por gerar graves danos à fauna e à flora. Isso porque, à medida que ocorre a expansão do agronegócio, o percentual de mata virgem desmatada aumenta, sobretudo entre a região Centro-oeste e Norte. Esse cenário pode ser constatado ao observar dados de uma pesquisa realizada pelo portal de notícias “Carta Capital”, a qual mostra que o desmatamento da Amazônia Legal (apenas a porção pertencente ao Brasil) cresceu mais de 10% somente na última década. Logo, caso não haja uma medida intervencionista urgente, o problema se perpetuará.

Ademais, vale ressaltar , ainda, que as desavenças rurais representam outro ponto polêmico desse setor. Isso pelo fato do policiamento campesino ser bem abaixo daquele visto nas cidades. Nesse viés, o campo passa a representar uma espécie de “terra de ninguém”, local em que leis e fiscalizações judiciais não são tão presentes, o que faz a dinâmica do espaço rural ser controlada pelos latifundiários e seus jagunços. Dessa forma, nota-se que a pauta em questão se assemelha ao pensamento do filósofo Thomas Hobbes, o qual afirma que o homem é lobo do próprio homem, já que os próprios habitantes da região rural entram em conflitos.

Destarte, é preciso que medidas sejam implementadas à sociedade brasileira, a fim de barrar o avanço dos conflitos no campo. Para isso, o Ministério da Justiça - por ser um órgão responsável pela ordem e segurança do país - deve, por meio do aumento na quantidade de policiais nas áreas com expansão agrícola, ampliar a fiscalização e monitoramento das relações no campo. Tais ações terão a finalidade não só de evitar possíveis crimes ambientais, mas também garantir a segurança no campo, evitando abuso de poder por parte dos latifundiários. Feito isso, o avanço trazido pela Revolução Verde se distanciará das mazelas sociais vigentes.