Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 27/09/2021
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de agrário, os impactos da expansão do agronegócio funcionam como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de atenção governamental e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, a carência de prioridade do corpo político brasileiro com a questão ambiental do avanço do agronegócio mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Thomas Hobbes, na teoria do contrato social, “o governo deve garantir o bem-estar social e ambiental”, ou seja, deve proporcionar ações que viabilizem o convívio em harmonia. Por esse ângulo, o estado carece de atenção com a situação do meio ambiente, visto que a falta de incentivos — fiscalização e proteção- em combater a expansão da fronteira agrícola brasileira, promovedora da degradação do solo e de florestas com o manejo inadequado da pecuária e da monocultura de soja, não viabiliza, na prática, a proposta de Hobbes. Por isso, se o órgão máximo da justiça não promover atos afirmativos, como medidas protetivas à fauna e flora brasileira, a biodiversidade será diminuta, contexto a mudar.
Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre o impacto econômico do agronegócio apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar. Conforme Hannah Arendt, na teoria da banalidade do mal, “o ato preconceituoso passa a ser feito de forma inconsciente quando os indivíduos normalizam tal situação” comparando com a concentração de terras nas mãos de poucos proprietários que promovem uma desigualdade de rendas em que muitos agricultores familiares, por exemplo, não conseguem competir com grandes empresas. Nesse aspecto, a origem desse fato reside em toda história brasileira, uma vez que conflitos agrários eram constantes cotidianamente — movimento sem terras (MST) — enraizando e normalizando na cultura educacional dos cidadãos e, consequentemente, dificultando a resolução do problema. Por isso, é evidente que combater essa banalidade é crucial para que a população seja ativista de mudanças sociais e não se acostume com trivialidades conflitantes.
Portanto, medidas são necessárias para diminuir os impactos da expansão de agronegócio. Por conseguinte, cabe ao Ministério do Meio ambiente realizar ações afirmativas de preservação ambiental contra os prejuízos do agronegócio, com o “slogan”: “Salvando a Natureza”. Esse projeto pode ser feito mediante investimentos monetários em fiscalização e medidas protetivas, de modo que impeçam o avanço da fronteira agrícola brasileira e possibilitem o desenvolvimento da biodiversidade animal e vegetal, resultando na plantação de sementes de ideias que germinração em teorias agrícolas sociais.