Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 13/08/2020

Desde a criação do Exame Nacional do Ensino Médio em 1998 pelo Ministério da Educação, este recurso vêm se modificando e adaptando à realidade. Tal fato se assemelha aos dias de hoje com a pandemia do Covid-19, em que as provas do ENEM serão realizadas pelo meio digital. Diante desta situação, é evidente a imposição de grandes desafios acerca do ENEM digital, que pode contar com problemas como a desvantagem entre os participantes e a possibilidade de ataques cibernéticos.

Em primeiro plano, vale ressaltar que no Brasil, o acesso à internet não chega à todos do mesmo jeito. A versão mais recente do estudo TIC Domicílios, que mede os hábitos e comportamento de usuários da internet brasileira mostrou que um em cada quatro brasileiros não tem acesso regular à internet. Assim, vê-se que os participantes não são submetidos às mesmas condições de preparo para o teste por conta de tal desigualdade, o que pode comprometer a efetividade do ENEM ao não qualificar pessoas que possuem muito potencial.

Além disso, é necessário compreender que o ENEM digital será inserido em uma realidade em que ataques cibernéticos são cada vez mais possíveis e frequentes. Em 2012, o próprio site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que aplica o ENEM, foi atacado por hackers em busca de dados e informações dos participantes do exame daquele ano. Diante disso, fica claro a grande possibilidade do ENEM digital ser alvo de ataques cibernéticos, comprometendo a realização do exame e, consequentemente, todos os processos seletivos subsequentes à ele, o que causará grandes retrocessos em todo país a longo prazo.

Portanto, é notório a necessidade do Inep, em parceria com o Ministério da Educação promover centros móveis de preparação para o ENEM em cidades em que a população tem o acesso precário à internet a fim de garantir um exame justo para todos os participantes. Paralelamente, o Inep deve investir em especialistas da área para criar um sistema extremamente seguro contra hackers, realizando “provas testes” a fim de garantir um exame mais seguro possível, protegendo os dados pessoais de seis participantes para que o ENEM de 2020 seja exemplo internacional de adaptação e segurança durante tempos instáveis.