Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 09/08/2021

Educação a distância (EAD) é uma forma de ensino-aprendizagem mediada por tecnologias que permitem que o professor e o aluno estejam em ambientes físicos diferentes. Contudo, apesar de a EAD oferecer a possibilidade de levar a educação a indivíduos excluídos socialmente, do modo como essa se dá hoje, ainda é alvo de preconceito e enfrenta como obstáculos, a exclusão digital e o sucateamento dos cursos.

Primeiramente, deve-se ressaltar os benefícios promovidos pela educação a distância no Brasil - tais como acessibilidade financeira e flexibilidade de horários. Segundo o Censo EAD de 2017, mais de 75% dos alunos de ensino superior a distância tinham idade entre 26 e 40 anos e, de todos eles, mais da metade são pessoas do sexo feminino. Diante de tal exposto, torna-se nítido que indivíduos que, genericamente, têm alguma ocupação laboral - ou doméstica, principalmente as mulheres - e, por conseguinte, pouco tempo disponível, tendem a optar por cursos a distância, em virtude da flexibilidade de horários e economia de tempo gerada pela não necessidade de locomoção. Adicionalmente, de acordo com a mesma pesquisa, a maior parte dos estudantes - da educação não presencial -  integram as classes sociais menos abastadas, o que reverbera o menor dispêndio de dinheiro exigido pelas instituições de EAD quando comparado ao requerido pelas presenciais.

Por outro lado, malefícios e desvantagens, também, podem ser vislumbrados nesse modo de educar - tais qual a precarização e a exclusão digital. Consoante pesquisa promovida pela organização sem fins lucrativos Todos pela Educação, entre os educadores - o que inclui pedagogos e licenciados - que concluiram a graduação a distância, 75% obtiveram nota inferior a cinquenta pontos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, enquanto que entre aqueles que terminaram o curso presenciamente, apenas 65% conseguiram tal desempenho. Nesse sentido, pode-se perceber que, principalmente, em cursos relacionados a educação, o EAD não é tão eficiente quanto o ensino presencial. Ademais, a exclusão social também ocorre, haja vista que há diversas pessoas que não possuem recursos para aquisição de equipamentos tecnológicos ou habilidade para manuseá-los.

Infere-se, portanto, que há entraves que obstam a qualidade e democratização do EAD. Para solucionar tal problemática, faz-se mister que o Ministério das comunicações e o Ministério da Educação (MEC) promovam, por intermédio da disponibilização de recursos pelo Tribunal de Contas da União,  a ampliação de subsídios para a compra de equipamentos para pessoas de baixa renda - além de programas de treinamento para EAD - a fim de democratizar o acesso a essa espécie de ensino. Por fim, aulas práticas devem ser regulamentadas pelo MEC, com o escopo de aprimorar a qualificação.