Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 05/08/2021

O ensino remoto foi implementado no Brasil em 1904, com o oferecimento de cursos de datilografia e desenhos. Nesse ínterim, o ensino a distância foi modernizado e ampliado e, em 2005, foi condecorado como modalidade educacional, sendo válido em todos os níveis de escolarização. Essa configuração educacional trouxe benesses, mas também desafios, pois ela é dependente de estruturas, como internet , que nem todos possuem acesso.

Em primeira análise, cabe ressaltar alguns benefícios da educação a distância. Os estudantes conseguem moldar seu próprio horário, não precisam se deslocar, possuem mais comodidade e, segundo uma entrevista com um adepto do ensino remoto no site do G1, os gastos com esse ensino são cerca de 70% mais baratos em relação ao presencial. Ora, é notório o quanto o ensino remoto pode contribuir com a democratização da educação e com a liberdade que vem atrelada a ela. Afinal, como afirmava o patrono da educação brasileira, Paulo Freire, a educação é libertadora.

Em segunda análise, é válido destacar que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 17,3% da população não possui internet em casa. Sendo assim, inúmeros brasileiros -mesmo que estejam interessados no ensino a distância- ficam à margem desse sistema, impedidos de usufruírem do ensino remoto. Essa conjuntura corrobora com o postulado do filósofo Pierre Lévy, o qual afirma que toda tecnologia gera seus excluídos. Além disso, em meio a pandemia da COVID-19, os alunos foram coagidos a manterem os estudos via on-line, dependendo de equipamentos e internet, os quais muitos não possuem acesso, o que inviabilizou o estudo de diversos brasileiros.

Dessarte, medidas são necessárias para aprimorar o ensino remoto no Brasil. Dessa forma,é necessário que o Governo Federal, por meio de verbas oriundas do tesouro Nacional, crie um programa social, o “auxílio tecnologia”, o qual ofereça aparelhos eletrônicos e internet para os estudantes de baixa renda, buscando oferecer qualidade e acesso democrático ao ensino remoto. Além disso, é preciso ofertar cursos para o uso dessas tecnologias, que sejam fornecidos por universitários em fases finais das faculdades, tanto para os alunos quanto para os professores. A fim de que toda sociedade se adapte a essa nova forma de ensino.