Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 30/06/2021

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa as perspectivas e os desafios da educação a distância no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão relevante. Dessa forma, urge analisar as causas, as consequências, e desenvolver estratégias e maneiras concretas para reverter este quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater os desafios da educação a distância no país. Nesse sentido, observa-se um desamparo por parte da sociedade civil organizada, a qual não trata com seriedade o contraste social entre os indivíduos que são privilegiados por obterem o acesso completo ao ensino remoto, e os indivíduos que não possuem nenhum desses direitos, como, por exemplo, o infeliz cenário educacional durante a pandemia ocasionada pela COVID-19, em 2020. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos constitucionais, como a educação, o que infelizmente é evidente na sociedade verde-amarela.

Outrossim, é fundamental apontar as graves sequelas que os estudantes desprevilegiados sofrerão a longo prazo como impulsionador dos desafios a educação remota no Brasil. Segundo a obra ‘Sociedade em rede’ do sociólogo espanhol Manuel Castells, as relações sociais se dão em rede, e uma dessas características é a descentralização dos conhecimentos, ou seja, não há um caminho exclusivo a ser seguido. Analogamente, tal situação provocará um futuro divergente para os estudantes do ensino a distância com realidades opostas, citando caso parecido, a desenvoltura desses indivíduos no mercado de trabalho posteriormente, em consequência do lamentável cenário pandêmico já comentado. Logo, é inadmissível que esse cenário inconstitucional continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tais mazelas. Para isso, compete ao Ministério da Educação, juntamente com as instituições de ensino do país, promover ações por intermédio de campanhas como “Nenhum aluno fora da escola”, com o intuito de impedir que o ensino a distância seja uma rede descentralizada de conhecimentos, tal como afirma o sociólogo Manuel Castells, trazendo, dessa maneira, unanimidade e um futuro próspero para todos os estudantes que optarem por esta modalidade de  ensino. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa, onde o Estado desempenha corretamente o seu “contrato social”, de acordo com a ideologia de John Locke.