Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 11/06/2021

O Brasil é um dos países com o maior número de cidadãos sem diploma de ensino médio e superior, como demonstra um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Esse fato significa que o acesso de muitos ao aprendizado, um direito básico garantido pela Constituição Federal de 1988, é negligenciado. Então, tem-se como perspectiva de sanar tal problema a educação à distância (EAD), uma ferramenta que atua em prol da democratização do conhecimento, apesar de ser uma modalidade de ensino com algumas ressalvas. Portanto, urge a intervenção estatal para tal fim.

Em um primeiro momento, é imperativo abordar o EAD como um propulsor de mudanças sociais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que áreas rurais das regiões norte e nordeste são as mais problemáticas quando se trata da ausência de escolas, adversidade crescente em terras indígenas. Em decorrência disso, o total de cidadãos afetados já chega a 5,1 milhões de acordo com um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância. Desse modo, nota-se a desorganização física como um impasse importante, porém, passível de superação ao se empregar utensílios tecnológicos — computadores, tablets, celulares e a internet.

Sob esse viés, a facilidade de acesso atrai 1,5 milhão de estudantes, conforme afirma o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Contudo, a pesquisa do IBGE constata que os polos de cursos online se concentram na região sudeste e em instituições privadas. Além dessa ressalva, tem-se que é encargo do educando a procura por um ambiente livre da interferência externa e a fixação de uma rotina de estudo diária. Tamanha autonomia é algo árduo para muitos, inclusive é um fator de desistência, relata João Vianney — consultor da Associação Brasileira de Educação à Distância. Sendo assim, para executar tal método é preciso descentralizar os núcleos digitais e encorajar hábitos emancipadores.

Diante do exposto, conclui-se que a educação à distância possui importância nacional, uma vez que simboliza o cumprimento da constituição no âmbito educacional, entretanto é uma revolução que carece de aprimoramento. Logo, cabe ao Ministério da Educação — por intermédio de uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional — criar centros vinculados às universidades públicas locais, porém destinados às atividades remotas, bem como disponibilizar gratuitamente, para os alunos de baixa renda, internet e dispositivos capazes de acessá-la, a fim de toda a população ter ensino de qualidade e sem custo. Com tais medidas, mudanças esperadas serão concebidas com êxito.