Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 06/06/2021

Karl Marx defendia, por meio do materialismo dialético, que a sociedade é um processo em constante transformação. Nesse sentido, observa-se que, em um período cada vez mais dependente do meio digital, a educação a distância representa uma resposta espontânea que, contudo, reforçou desigualdades sociais. Em associação, o fortalecimento de uma lógica individualista provoca a potencialização desse cenário, revelando, dessa forma, um sistema educacional direcionado imparcialmente.

Em primeiro lugar, cabe destacar as barreiras consequentes de múltiplas realidades socioculturais ao acesso a uma educação a distância satisfatória. O ensino remoto representa a sistematização da domínio digital, entretanto, esse fluxo segue um sentido desigual, visto que o acesso as ferramentas necessárias, como aparelhos tecnológicos e internet, não são distribuídos homogeneamente. Uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) demonstrou que 6 milhões de brasileiros não tem acesso a internet. Logo, corroborando com a defesa que o ensino remoto é compatível com um processo elitista.

Ademais, deve-se considerar o impacto de uma postura individualista. Monteiro Lobato, por meio do seu personagem Jeca Tatu, descreveu a índole do brasileiro como conformista e cômoda. Essa postura, presente até o momento atual, salienta um espaço propício a inércia frente a lutas sociais e, paralelamente, o fortalecimento de um discurso meritocrático, em que se defende o esforço pessoal como único elemento considerável relacionado a melhoria de vida. Assim, essa mentalidade sustenta a perpetuação de desigualdades sociais sob o pretexto da valorização da dedicação.

Todo esse contexto expõe, portanto, um cenário que, mesmo ao manter compromisso com o desenvolvimento, constrói um paradoxo social. De modo a amenizar essa situação, é necessário estabelecer políticas afirmativas que busquem equiparar as oportunidades para os estudantes. Para tal, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão responsável pela organização de pesquisas, estudos e avaliação do aparato escolar, deve investir no mapeamento de grupos desfavorecidos economicamente ou socialmente por essas desigualdades e promover medidas equitativas, como empréstimo de equipamentos, apoio financeiro e auxílio na instalação de rede de internet. Desse modo, visando favorecer um sistema educacional democrático e sincronizado com os valores modernos.