Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 25/05/2021

Como disse Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, “Vivemos tempos ‘líquidos’”. Vivemos uma época em que as relações econômicas se fazem mais importantes que as relações sociais e humanas, e, com isso, o laço interpessoal e de pessoas com instituições se torna cada vez mais frágil. Um exemplo disso é o ensino a distância (EAD). O EAD apresenta aspectos positivos, como a diminuição do tempo consumido e o aumento tanto da produtividade quanto do alcance da educação, porém, por outro lado, apresenta um grande problema de falta de contato humano. Além disso, a exclusão digital se mostra como uma problemática.

Primeiramente, um aspecto fundamental para o aprendizado é o contato entre professor e aluno, algo inexistente no EAD. A relação criada entre esses dois lados é algo que humaniza o ensino, e pode auxiliar na fixação do conteúdo. Sem o contato direto com o professor, é mais provável que o aluno adquira dúvidas e crie dificuldades em acompanhar o curso. Ademais, na educação a distância, por não se encontrar imerso em um ambiente acadêmico, o aluno se encontra exposto constantemente à diversas distrações, exigindo assim muita disciplina e organização para lidar com o conteúdo sozinho. Desse modo, o EAD se mostra superficial ao se tratar de relações humanas e isso afeta em sua eficácia de transmitir conhecimentos.

Outrossim, é notório que grande parcela da população brasileira não possui acesso à internet. Em 2020, cerca de 46 milhões de brasileiros não tinham acesso à internet. Desse total, 45% explicam que essa falta de acesso se dava devido ao alto preço do serviço e para 37% dessas pessoas, a falta do aparelho celular, computador ou tablet também era uma das razões. Dessa forma, vê-se que o ensino on-line é, frequentemente, inviabilizado pela desigualdade social do país e pode-se concluir até que o EAD é uma ferramenta elitista.

Diante do exposto, fica evidente a necessidade de aprimoramento do ensino a distância no Brasil. É de suma importância que o Governo Federal, juntamente com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realize um mapeamento do país, procurando áreas em que há a ausência de internet e, após isso, realize projetos de barateamento dos pacotes do serviço para essas regiões, com o intuito de expandir aos poucos o acesso à internet no país, tornando possível a eficácia do ensino online para quem optar por usá-lo.