Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 04/08/2021

“Um homem não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”. O pensamento do filósofo Heráclito consagra o movimento do mundo e as mudanças que permeiam a sociedade, as quais podem ser concretizadas por meio da educação a distância (ead). Entretanto, a desigualdade social e a falta de motivação dos jovens são desafios que impedem  muitos indivíduos de atravessarem essas transformações. São prementes, pois, estratégias capazes de superar esses obstáculos e de melhorar as perspectivas desse tipo de ensino no Brasil, em nome da formação integral dos estudantes.

A princípio, é fato que as disparidades sociais estão diretamente atreladas ao tema. Nesse contexto, o filósofo Locke, em sua teoria da ‘‘Tábula Rasa”, afirma que o homem é um papel em branco a ser preenchido por conhecimentos ao longo da sua existência. Analogamente, muitos jovens ainda são uma “folha em branco” no que concerne aos conhecimentos advindos do ensino remoto. Isso porque a discrepância social do país dificulta o acesso de muitos estudantes em vulnerabilidade social aos meios digitais, necessários para assistir às aulas remotamente, principalmente, devido ao alto preço dos aparatos tecnológicos e da internet. Assim, sem uma ação governamental capaz de minimizar esses abismos sociais, as perspectivas desses estudantes envolvem o comprometimento do seu processo de aprendizado e, consequentemente, do seu futuro profissional.

Outrossim, o perfil desmotivado de muitos alunos também inviabiliza uma educação remota de qualidade. Sob esse prisma, o psicanalista, Antônio Quinet, em sua obra “Um olhar a mais”, afirma que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, um olhar desinteressado de muitos jovens em relação ao ead se torna um impasse para o desenvolvimento dessa metodologia. Nesse viés, em razão, principalmente, da falta de contato com os professores e com os colegas, incontáveis estudantes tendem a não se comprometer efetivamente com as aulas, pois nem sempre há uma dinamicidade que lhes traga o foco necessário para absorver os conteúdos transmitidos. Posto isso, a partir de uma reformulação nas aulas virtuais, a motivação dos alunos pode ser recuperada, o que favorecerá o seu aprendizado e, por conseguinte, será capaz de melhorar o cenário ead no país.

Infere-se, portanto, que as disparidades sociais e a desmotivação dos estudantes dificultam o aprimoramento do ead no Brasil. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas, mediante subsídios econômicos, voltados para propagandas nos aparelhos midiáticos, com dicas de estudo que favoreçam a dinamicidade das aulas on-line e para descontos em aparatos tecnológicos para estudantes carentes, com o fito de minimizar as divergências sociais e de resgatar a motivação dos alunos para o ensino a distância.