Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 29/05/2020
Educação Viável
Em decorrência da suspensão das aulas, causada pela pandemia Covid – 19, que chegou ao Brasil em março de 2020, parte das instituições de ensino tiveram que se adaptar com o ensino remoto. Além disso, em uma nota lançada em 2011, a ONU declarou o acesso à internet como direito humano do século XXI, mas sua implementação ainda não é eficiente. Logo, são necessárias medidas que promovam a melhoria do ensino à distância (EAD), especialmente na realidade brasileira, caracterizada por uma desigualdade de oportunidades e baixo domínio dessa tecnologia.
Entre as funções democratizadoras da EAD, destaca-se a acessibilidade ao ensino com essas plataformas. De acordo com o censo de 2015 do IBGE, entre 2017 e 2018 subiram 133% os números de cursos registrados. Outra potencialidade é a sua multimodalidade, pois é possível explorar ferramentas, como músicas e vídeos. Isso corresponde ao conceito de “Educação Emancipadora” defendida pelo pedagogo brasileiro Paulo Freire. Ademais, a flexibilidade de horário é um fator positivo, já que o aluno pode escolher quando estudar, com redução de custos de transporte e alimentação. Dessa forma, esse serviço on-line representa uma forma de inclusão social com avanços no país.
De nada adiantam essas potencialidades, no entanto, se a exclusão social se converte em exclusão digital. Um país de grande extensão faz com que regiões remotas frequentemente não contem com estruturas adequadas. Em alguns casos, quando há esse serviço, há baixa qualidade e velocidade às necessidades do usuário. Além disso, o custo desse serviço supera as possibilidades financeiras da maior parte da população, devido ao baixo valor da renda per capita nacional. Assim, conforme afirmado por Pierre Levy, “a cada nova ferramenta, surgem novas formas de exclusão”. Outro empecilho para a eficiência desse modelo digital é a falta de domínio das ferramentas, já que, muitas vezes, as escolas não disponibilizam essa prática. Logo, há desafios para a efetuação da EAD.
Evidencia-se, portanto, que é necessário o Ministério da Ciência e da Tecnologia estabeleça “hotspots” - pontos de conectividade gratuita em locais públicos, principalmente nas regiões menos atendidas por esse serviço. Isso pode ser feito por meio de uma parceria com as operadoras e escolas, que podem oferecer, também, laboratórios de informática para a utilização dos computadores. Para reduzir a falta de domínio tecnológico, seja dos docentes ou dos discentes, é importante que o Ministério da Educação promova alfabetização digital, por meio de cursos oferecidos virtualmente, mas também nas escolas e centros comunitários, especialmente para os indivíduos mais atingidos pelos obstáculos on-line, por exemplo, os idosos e aqueles de classe social menos privilegiada.