Perigos da obsolescência programada

Enviada em 05/11/2020

“Um produto que não se desgasta é uma tragédia para os negócios” esse jargão tornou-se popular entre os norte-americanos no início do século XX, durante a Grande Depressão de 1929, a qual trouxe grandes prejuízos comerciais devido à falta de mercado consumidor. Diante da crise, houve a necessidade de tornar os produtos menos rentáveis, com a finalidade de estimular o consumo das sociedades e também a economia. Atualmente conhecida como “obsolescência programada”, a prática traz inúmeras consequências para a população mundial, como o impacto financeiro na vida dos consumidores e o aumento de lixo eletrônico, agravando problemas ambientais.

Em primeiro plano, é importante focar nas consequências que a obsolescência programada traz para a vida financeira dos indivíduos. Segundo Benito Muros presidente da Feniss, organização espanhola voltada para o assunto, estima-se que produtos com sua vida útil diminuída gerem prejuízo de 40 a 50 mil euros para uma pessoa durante sua vida. Junto a tendência consumidora dos seres humanos, a obsolescência programada torna-se ainda mais preocupante, uma vez que faz com que esses consumam mais e mais, a fim de possuírem sempre as melhores e mais avançadas tecnologias, e assim, se endividem cada vez mais, muitas vezes sem necessidade para isso.

Em segundo plano, o consumismo desenfreado traz, também, sérios problemas de ordem ambiental: países desenvolvidos enviam seu lixo eletrônico para países subdesenvolvidos, causando problemas sociais e ambientais nos mesmos. A sujeira eletrônica pode comprometer ecossistemas, visto que é composta por elementos muito poluentes -como o chumbo, alumínio e cobre- os quais são absorvidos pelo solo e por lençóis freáticos, comprometendo o equilíbrio ecológico do planeta, além de causar diversas doenças para os animais e seres humanos. Gana é o principal país que recebe esse entulho, lá são altos os índices de câncer entre as crianças e contaminação por chumbo entre os trabalhadores que lidam diretamente com a queima do lixo eletrônico, também conhecido como “e-waste”.

Diante do que foi abordado, torna-se evidente que a obsolescência programada traz graves consequências para os seres humanos e também para o meio ambiente do planeta. Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para a erradicação do problema. É fundamental que os Governos criem projetos para que haja uma educação econômica e conscientização nas escolas à cerca do consumo em massa. Ademais, também faz-se necessário a criação de campanhas publicitárias que deem maior visibilidade à locais de descarte de eletrônicos, para que toda a população saiba sobre esses estabelecimentos. Só assim, haverá uma sociedade que consume menos e preserva mais.