Perigos da obsolescência programada
Enviada em 15/09/2020
O longa The Light Bulb Conspirancy retrata o estímulo frenético ao consumismo exacerbado da sociedade que, por consequência, gera o aumento da produção de dejetos proporcionalmente à quantidade de compra, dessa forma, mostrando a face maquiavélica da manipulação do ciclo de vida útil dos produtos, isto é, a obsolescência programada. Nesse prisma, é evidente que há tristes impactos socioambientais advindos por tal processo, os quais são, não apenas a distribuição irregular do lixo, como também a dependência econômica dessa prática. Logo, urge a necessidade de destrinchar os perigos da obsolescência planejada.
Primordialmente, a parte residual dos objetos é, paradoxalmente, distribuída de acordo com o nível de consumo. Seguindo esse pensamento, conforme a OIT(Organização Mundial do Trabalho), países subdesenvolvidos são destino de 80% do lixo eletrônico dos desenvolvidos. Por esse panorâma, é indubitável que a globalização de tal obsolescência trouxe essa contraditória realidade, de um lado, nações que consomem desenfreadamente, do outro, países deficitários nisso que, entretanto, recebem as sobras eletroeletrônicas inúteis dos outros, assim, demonstrando os ferozes efeitos desse fenômeno.
Ademais, a dinâmica econômica do capital ficou submissa a alta demanda por produção. Consoante essa perspectiva, o filme O Homem do Terno Branco, na cena em que o protagonista é cercado por proletários temendo a perda do emprego, e patrões com medo da falência, tendo como causa a patente do um tecido muito durável mostra isso com precisão. Extrapolando as telas, é inegável que a alusão crítica do filme e o atual momento caótico do fluxo de riquezas criaram, além de uma necessidade nos patrões, uma vassalagem de empregados à obsolescência programada, de tal maneira que comprova seus maléficos efeitos dentro da sociedade.
Infere-se, portanto, que esse novo estilo de mercado reformulou completamente as interações ecológicas mundiais. Por isso, é de suma importância que, no intuito de adaptar este e retomar a qualidade dos produtos, o Estado, junto à iniciativa privada, aumentem continuamente o tempo utilizável dos produtos, de forma a induzir os produtores a uma nova competitividade na qual preza-se pela qualidade e não pela quantidade, por meio da promulgação de metas obrigatórias para o tempo de vida dos objetos, de modo que siga uma tendência ao crescimento progressivo. Enfim, para romper com a situação retratada nas obras cinematográficas supracitadas.