Perigos da obsolescência programada

Enviada em 04/09/2020

A palavra capital vem do latim capitale e significa “cabeça”, no qual faz alusão as cabeças de gado, ou seja, uma das medidas de riqueza nos tempos antigos. Esse sistema econômico capitalista ainda vigora até os dias atuais e sua principal característica é a obtenção de lucros. Sob esse viés, surge a obsolência programada, que influencia o consumismo e corrobora para uma maior degradação ambiental.

Em primeira análise, a obsolência programada se baseia em uma estratégia em que as empresas diminuem o tempo de vida útil dos produtos, para que o consumidor busque, constantemente, por um novo modelo. Dessarte, o filósofo Karl Marx consolidou o termo “fetichismo”, sendo o status social que o produto transcende, e mesmo que não ofereça utilidade, as pessoas tendem à comprá-lo. Dessa forma, os comportamentos consumistas são naturalizados e cada vez maiores, análogos à um “carrossel” que nunca para de girar, ou seja, esse problema sempre permanecerá se não houver uma conscientização adequada da população.

Em segunda análise, entre as consequências dessa obsolência programada, está a devastação ambiental. Sob esse âmbito, os aparelhos eletrônicos e produtos que não satisfazem mais o indivíduo são descartados incorretamente. De acordo com o relatório The Global E-Waste Monitor, produzido pela ONU em 2017, o Brasil produz em média 1,5 milhão de toneladas de lixo eletrônico por ano. Por conseguinte, os equipamentos elétricos e eletrônicos são estruturados por resíduos tóxicos que podem contaminar o solo e os lençóis freáticos, e se tornam um grande risco para a saúde pública.

Portanto, fica evidente o perigo da obsolência planejada e a necessidade de medidas que alternem esse cenário. Urge, então, que a Secretaria de Educação, em conjunto com os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente, criem um programa de conscientização acerca de tais perigos, isso ocorrerá por meio de palestras feitas por ativistas ecológicos e psicólogos que expliquem a forma correta de descarte, além disso, é preciso que eles ensinem sobre como a mente humana pode ser manipulada e os males que essa manipulação atribui, tanto individualmente quanto socialmente. Dessa forma, à medida que as palestras aconteçam, as pessoas terão consciência ao descartar os lixos. Somente assim, será possível garantir uma elucidação ao ponto de que os cidadãos não se submetam à substituição desnecessária das “cabeças de gado”.