Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 14/08/2018
“Fake News” é uma expressão originária do inglês. Ela é usada para se referir às mentiras travestidas de verdade que são divulgadas com o intuito de manipular a sociedade. Esse artifício, embora não seja inédito na história humana, tornou-se um dos grandes problemas da atualidade devido a rapidez com que as notícias são compartilhadas, gerando um ambiente fértil à ocorrência de problemas sociais.
Cabe, de início, ressaltar que na geopolítica a manipulação da realidade não raro constituiu um subterfúgio para perpetração de ações sem justificativa no campo da racionalidade. As nações europeias, por exemplo, promoveram, calcadas em fundamentos pseudocientíficos –darwinismo social -, a colonização de países nos continentes africano e asiático. Para justificar seus atos, disseminaram a ideia de que eram seres superiores aos demais e, por isso, estariam incumbidos de promover a evolução dos países retardatários.
Além disso, o advento da internet permitiu a divulgação de informações de modo muito rápido e difuso. Soma-se a isso o fato de que parte da população não avalia criticamente as notícias que recebe; antes, abdica de sua autonomia, tornando-se apenas um retransmissor, aumentando o poder nocivo da “Fake News”. Um caso exemplar dessa ação irracional foi o linchamento de uma mulher no Guarujá (SP), em 2014, morta pela população induzida por notícias que sequer eram relacionadas à vítima.
É impreterível, portanto, que o Estado haja com vistas a cumprir seu papel precípuo de manter a estabilidade social. Nesse sentido, cabe ao Legislativo elaborar leis que tipifiquem os novos crimes virtuais, impondo penas mais graves aos produtores das notícias falsas. Ademais, não se pode deixar de atuar na formação dos cidadãos. Para tanto, a escola deve promover a educação digital dos alunos, focando não só nos aspectos tecnológicos, mas também ressaltando as consequências práticas de atos no ambiente virtual. Limitar-se-ia, assim, a sensação de impunidade, por um lado, e permitiria formar indivíduos mais críticos, por outro.