Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 26/02/2018
Durante o Governo Vargas, ocorreu a disseminação do Plano Cohen, conjunto ideias falsas sobre um suposto golpe comunista. Hodiernamente, esse tipo de ação configura-se como fake news, as quais são resultado de problemáticas sócio-políticas. Nesse sentido, dois aspectos ressaltam-se: o conhecimento prévio acerca de assuntos e a crise de confiança nas instituições sociais.
Mormente, o imediatismo e a busca pelo conhecimento prévio são duas das principais causas da propagação das fake news. Segundo Zygmunt Bauman,sociólogo moderno, a sociedade vive tempos líquidos, marcados pela fluidez e falta de pensamento crítico. Sob esse prisma, o homem, devido à influência da fácil e rápida obtenção de informações, despreza a reflexão crítica e aprofundada sobre as notícias disseminadas. Dessa forma, o espalhamento das fake news é facilitado e influenciado, pois não há fiscalização acerda da veracidade delas. Consequentemente, elas espalham-se exponencialmente, incentivando, erroneamente, as ações da sociedade civil, como as escolhas de candidatos políticos. Prova disso foram as eleições de 2015 dos EUA, que foram marcadas pela exposição de notícias falsas sobre Hillary Clinton por Donald Trump.
Outrossim, a sociedade não tem mais total confiança nas instituições tradicionais. Essa crise de confiança é fruto de um histórico de escândalos de corrupção, como os desdobramentos da Operação Lava Jato, os quais levaram a população a desacreditar na veracidade das ações e informações transmitidas pelo Estado. Então, as pessoas passaram a utilizar outras formas para se informar, como blogs, aplicativos de mensagens instantâneas. No entanto, as notícias destes nem sempre são verídicas, visto que o mercado de fake news é bastante lucrativo e dinâmico. Por conseguinte, os leitores, sob influência de perspectivas erradas, revoltam-se contra aspectos sócio-políticos, gerando polarização política e discursos de ódio.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de combater as fake news. Por isso, cabe à comunidade escolar, em conjunto com o Ministério da Educação, desenvolver projetos educacionais de incentivo à reflexão crítica, a fim de influenciar a fiscalização das informações dos meios de comunicação pela sociedade civil. Dessa forma, palestras, debates e aulas de sociologia voltadas para pais e alunos, além de panfletagens em praças e parques públicas devem ser realizados. Além disso, o Estado precisa reconquistar a confiança da população, realizando atos corretos e fiscalizando as notícias expostas, por meio da criação de um site responsável por orientar as pessoas acerca do grau de veracidade delas.