Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 16/10/2021
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, no entanto, diverge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que os perigos das Fake News são um problema persistente na era da informação, de modo a dificultar os planos de Morus. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da inoperância estatal, mas também a velocidade da propagação dessas, nas mídias digitais. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura a fim de reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos em programas de análise de informação, deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno mundial globalizado, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, a falta de checagem às publicações em sites e a precária divulgação a respeito desse fato social contribuem para a permanência dos riscos que cercam a sociedade. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.
Além disso, é crucial explorar o efeito da instantaneidade da disseminação de notícias falsas, como outro agente influenciador do revés. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as relações sociais se liquefizeram no mundo globalizado, o que resultou na redução dos laços afetivos das comunidades, contribuindo para a eclosão das fake news. Com sua rápida divulgação e compartilhamento, torna-se difícil identificar os responsáveis pela veiculação das mesmas, e se evidencia como a manipulação tem se tornado proposital, buscando mobilizar o corpo social à favor de causas não verídicas.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição dos perigos associados à propagação das Fake News. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar os programas de checagem do conteúdo falso nas redes sociais, por meio de palestras ministradas por profissionais especializados na área, com o objetivo de divulgar informações, estimulando o esforço coletivo e contínuo de análise das fontes de notícias. Somente assim, pode-se concretizar a “Utopia” de Morus na era da informação.