Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 09/10/2020

O termo “fake news” é usado para designar informações falsas que circulam pelos meios de comunicação. Com o advento da internet, a disseminação das notícias teve significativo aumento e, logo, também foi facilitada a dispersão de informações errôneas com os mais diversos objetivos, como difamar alguém, obter lucro ou promover políticos. Nesse contexto, nota-se, no Brasil, que o espalhar de notícias falsas é, em grande parte, causado por atitudes da própria sociedade e prejudica a manutenção da verdade, o que  gera diversos problemas.

Em primeiro lugar, a população tem papel primordial na difusão de informações fraudulentas, uma vez que grande parcela de brasileiros utiliza veículos de mídia de baixíssima confiança para informar-se. De acordo com um estudo publicado em 2018 pelo Instituto Mundial de Pesquisa, intitulado “Notícias falsas, filtro de bolhas, pós-verdade e verdade”, 48% dos entrevistados do Brasil utilizavam o WhatsApp como fonte de informação — rede que possui cerca de 96% de todos os compartilhamentos de notícias falsas do país, segundo estimativas da companhia de segurança PSafe — , enquanto em nações mais escolarizados o índice é muito menor (8% de uso na Austrália, 6% no Canadá e 4% nos EUA). Tal situação demonstra o desleixo com o qual a população trata os dados transmitidos, valendo-se de sites duvidosos ao invés de usar veículos de mídia informativa já consagrados e seguros.

Em segundo lugar, a disseminação das “fake news” tem como uma de suas principais consequências a difamação de indivíduos inocentes. Durante o período eleitoral norte-americano, por exemplo, em 2016, houve a difusão da notícia de que o Papa Francisco era apoiador da candidatura de Donald Trump. Essa informação era naturalmente falsa, mas obteve quase um milhão de engajamentos (soma de curtidas, comentários e compartilhamentos), segundo o jornal Estadão, e acabou por desgastar a imagem do líder religioso. Além disso, a distribuição de notícias fraudulentas pode causar estragos maiores, como a diminuição dos índices de vacinação desde a década de 1990, provocado, em parte, pela publicação de um estudo do britânico Andrew Wakefield, que relacionava a vacina da tríplice com os casos de autismo. A pesquisa já foi desmascarada diversas vezes, mas a notícia do “perigo das vacinas” se espalhou e, junto dela, o medo também, como explica a BBC News em publicação intitulada “A história que deu origem ao mito da ligação entre vacinas e autismo”.

Portanto, é preciso que medidas sejam tomadas para combater o problema. Nesse sentido, é essencial que o Governo melhore a qualidade do ensino, por meio da adoção da educação digital à Base Nacional Comum Curricular — o que permitirá à população se prevenir contra notícias falsas — , com o objetivo de diminuir a circulação das “fake news” nos meios de comunicação e seus impactos.