Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 21/10/2018
Segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações presentes na sociedade pós-moderna é motor para diversos conflitos. Um dos grandes, se não o mais importante na atualidade, são as “fake news” e seus perigos. Isto posto, não é difícil avaliar nesse processo seus efeitos negativos sobre todo o tecido social brasileiro. Nesse sentido, é necessário salientar fatores que contribuem para a problemática, bem como medidas capazes de solucioná-la
Em primeira análise, pode-se destacar aspectos governamentais como um dos principais motivadores para o agravamento da questão. De acordo com a Constituição Federal Brasileira, é dever estatal construir uma sociedade livre, justa e solidária. No entanto, a ação legal encontra-se distante da efetivação, haja vista o aumento na disseminação de notícias falsas. Estas ferem o direito constitucional de acesso à informação e vulnerabilizam a liberdade de expressão. Dessa forma, a criação e o compartilhamento de “fake news” tornam-se ferramentas antidemocráticas — como visto nas eleições presidenciais estadunidenses que elegeram Donald Trump em 2016 ao associar a adversária a casos escusos, como uma rede de pedofilia.
Ademais, é fundamental mencionar as lacunas da educação digital do país. A modernidade líquida acentua-se com as redes sociais: os brasileiros dificilmente checam as informações que chegam até eles, potencializando, assim, a propagação de dados tendenciosos e inverídicos. Parafraseando Michel de Montaigne, a mais honrosa das ocupações é ser útil as pessoas, contudo, de maneira análoga ao pensamento do filósofo, a falta de ética na utilização das mídias digitais distancia-se do uso benéfico ideal.
Dessa forma, ações mais efetivas para atenuar os perigos das fake news são requeridas na sociedade. A partir disso, o Governo Federal deve promover o esclarecimento de notícias suspeitas com a criação de canais de comunicação nas redes sociais com a finalidade de amenizar a disseminação de conteúdos falsos, para que o direito à informação seja respeitado. Por sua vez, as ONGs devem preencher as lacunas da educação digital por meio da criação de projetos sociais com o objetivo de combater a constância dos perigos das informações inverídicas, para que se construa uma sociedade mais fiel aos princípios da Constituição.