Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 10/10/2018

Conforme Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista, uma mentira torna-se verdade depois de repetida mil vezes. Nesse sentido, é possível perceber que a disseminação de notícias falsas no intuído de manipular o comportamento humano é uma prática corrente na história da humanidade. Nessa perspectiva, urge a necessidade de aparelhar mecanismos de controle sobre notícias inverídicas, visto que essa conduta, amplificada pela atual tecnologia da informação, ameaça não somente a integridade da sociedade civil, mas também o Estado democrático de direito.

É notório que o volume de mensagens falsas circulantes, principalmente por intermédio da internet, apresenta aumento significativo em períodos específicos da história. Nesse contexto, os anos eleitorais concentram a maior ocorrência desta natureza, tendo em vista a conjuntura de interesses envolvidos no pleito. Infere-se que para além de injúrias aos candidatos, as notícias fraudulentas agridem o sistema democrático, o qual pressupõe a liberdade de comunicação entre a população. Com efeito, usa-se indevidamente o direito à liberdade de expressão para fins de manipulação da vontade dos cidadãos.       Outrossim, a necessidade de aferição da veracidade das informações pulverizadas diariamente em todos os dispositivos conectados à internet é fundamental. Para o filósofo René Descartes, o caminho mais seguro para desvelar a verdade reside na dúvida. Sob tal perspectiva, no contexto atual, cabe a todo cidadão a tarefa de questionar sobre as origens das informações as quais recebe, bem como consultar outras fontes. Com efeito, essa atitude simples pode assegurar que o cidadão evite meios de comunicação parciais, fraudulentos ou adulterados.

Torna-se evidente, portanto, que medidas corretivas precisam ser tomadas a fim de minorar os efeitos nefastos das notícias falsas. Para tanto, cabe ao Ministério das Comunicações a veiculação de campanhas publicitárias em cadeias de rádio, televisão e internet que orientem os cidadãos a respeito da presença de notícias com conteúdo falso, assim como instrua sobre meios seguros de efetuar pesquisas sobre fatos jornalísticos. Dessa maneira evita-se que o conteúdo falso seja replicado inadvertidamente pelos usuários, desestimulando, assim, quem falsifica a realidade. Com isso, espera-se evitar a ascensão de inverdades, como aquelas difundidas por Joseph Goebbels e, com efeito, garantir a segurança do Estado democrático de direito.