Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 09/10/2018
A caverna platônica
A alegoria da caverna de Platão relata uma história de pessoas que viviam dentro de uma caverna e não acreditavam na existência da vida e da luz fora dela, pois, para eles, a única verdade era aquilo que eles podiam enxergar. Nesse contexto, às “fake news” na sociedade brasileira contemporânea funcionam de maneira análoga a essa alegoria: por não questionar e por não haver meios que comprovem a veracidade das informações veiculadas, a luz da verdade fica comprometida. E isso pode gerar efeitos perigosos.
Primeiramente, a existência de notícias falsas estão ligadas a fatores econômicos. Isso porque, hodiernamente, com o advento da internet, os sites podem ganhar dinheiro através de acessos. O chamado “Click bait” são títulos polêmicos criados com o intuito de que o máximo de pessoas cliquem na notícia, e, por conseguinte, gere lucro para quem desenvolveu. Por isso, tais notícias possuem um teor sensacionalista e aborda temas que atraem o leitor. Assim como na Grécia Antiga, onde os Sofistas não se preocupavam em propagar a verdade, desde que persuadissem o ouvinte, na contemporaneidade, os interesses pessoais prevalecem em detrimento da ética e do lucro.
Contudo, disseminar notícias falsas causa efeitos perigosos. Isso porque pode deturpar a imagem e prejudicar a carreira profissional e à vida pessoal de um indivíduo. Consequentemente, pode causar transtornos psicológicos na vítima das “fake news”. Além disso, devido à acusações falsas, pessoas podem ser mortas por revolta popular e vingança com as próprias mãos. Pode, ainda, mudar os rumos de uma eleição política.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para amenizar essa mazela social. Logo, os sites de notícias podem se inspirar na Agência Lupa, criada pela Folha de São Paulo, e criar um espaço para a checagem de dados, onde o eleitor pode sugerir postagens para serem verificadas. Outrossim, a mídia propagandista, através de subsídio estatal, pode incentivar as denúncias com o objetivo de realizar punições efetivas, com base no artigo 138 e 139 do Código Penal, de modo que a sociedade brasileira não viva a realidade das sombras, como na alegoria de Platão.