Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 09/10/2018

A vitória do republicano Donald Trump na última eleição presidencial norte americana é constantemente relacionada à divulgação de notícias falsas que ora o beneficiavam, ora denegriam sua adversária. Essa cultura de criar e modelar a opinião pública através de apelos emocionais também é consoante à sociedade brasileira, cujo sensacionalismo midiático proporciona uma valorização de mentiras confortáveis em detrimento de verdades inconvenientes. Nesse contexto, as fake news se tornaram uma problemática com urgência em ser extirpada.

Em primeiro lugar, é preciso analisar os atuais usos e impactos das notícias falsas. As mídias sociais não só atuam como disseminadoras de informação, mas também como formadoras de opinião. Esse poder, todavia, se tornou facilmente corruptível devido à ausência de limites da internet. Ferramentas como o Facebook e o Google usam algoritmos que selecionam as notícias de acordo com os interesses do usuário. Nisso, cria-se uma espécie de “bolha ideológica” onde informações infundadas circulam constantemente por grupos de pessoas com predileções comuns. Assim, o indivíduo se vê frente a uma avalanche de supostas informações e, sem filtro próprio, torna-se um mero fantoche de divulgação.

Soma-se a isso, o fato de que a difusão de dados mentirosos podem levar pessoas a tomarem atitudes equivocadas. Quando o ministro de propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, afirmou que uma mentira contada mil vezes torna-se verdade, evidenciou que quanto mais uma pessoa é exposta a uma inverdade, mais fácil será dessa ser aceita como verídica. Prova disso, foi o linchamento que levou a morte da paulista Fabiana Maria de Jesus, acusada sem evidências, em boatos nas redes sociais, de praticar rituais de magia negra com crianças.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para combater o impasse. A curto prazo, o Estado deve criar um projeto de lei que exija dos órgãos de imprensa mais fiscalização quanto as fontes das notícias, como também disponibilize uma equipe de especialistas em sistema de informação para os auxiliar. Além disso, é dever das mídias sociais selecionar as notas de acordo com sua procedência, classificando aquelas de origem duvidosas como spam e denunciando seus emissores. Outrossim, é as escolas disponibilizarem oficinas e cursos gratuitos a fim de capacitar a população a identificar e filtrar conteúdos falsos na web.