Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/10/2018
O geógrafo brasileiro Milton Santos definiu que vivemos em um meio técnico-científico informacional, em que o espaço geográfico se relaciona cada vez mais com o espaço digital. No meio natural, o poder estava na posse da terra, em seguida, no meio técnico, o poder estava nas máquinas e indústrias. Atualmente, o poder está em controlar e processar dados e informações. Portanto, o grande perigo das notícias falsas é o uso dessas como manipulação de massas numa crescente cultura de desinformação.
As notícias falsas e fatos enviesados sempre existiram, em especial no discurso político, mas estão tendo seus efeitos potencializados com a forma como as redes sociais funcionam. Baseadas em algoritmos, que formam “bolhas” informacionais, essas plataformas alimentam o viés de confirmação dos usuários aumentando, cada vez mais, a polarização dos discursos que possuem, assim, uma visão limitada da realidade.
No entanto, é preciso ter cuidado com iniciativas do poder legislativo de aprovar projetos de lei para combater as Fake News às pressas, pois já possuímos instrumentos legais disponíveis. O caminho para seguir na era da pós-verdade não está na censura e sim na educação e valorização do trabalho do jornalista, que vem sendo cada vez mais fragilizado por conta da crise estrutural que a mídia tradicional vem passando.
Urge, portanto, que a conscientização da população seja prioridade. A escola e universidades devem ensinar como a informação deve ser consumida e a checar os veículos, autores e fontes dos textos. É necessário, também, que haja apoio financeiro às agências de “fact checking”. Por fim, deve-se penalizar os políticos que usam dados e informações falsas em seus discursos, uma vez que esses possuem maior influência e responsabilidade perante à sociedade. Só assim, caminharemos para solucionar este que é um dos maiores problemas da pós-modernidade, as Fake News.