Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/10/2018
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a propagação de fake news, hodiernamente, no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado somente na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste ligada à realidade do país. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
Em primeira análise, podemos apontar a tentativa de sobreposição de interesses pessoais em relação aos coletivos como um dos grandes motivadores para a produção de notícias falsas. Estima-se que, segundo dados divulgados pelo Portal G1, mais de 12 milhões de pessoas divulgam esse tipo de informação frequentemente, sendo a maior parte sobre política, o que pode influenciar uma grande massa da população em épocas de eleições, por exemplo. É inadmissível que, em um país dito democrático, a manipulação de notícias esteja fortemente presente em nosso cotidiano, pois isso fere o direito ao acesso à informação, presente em nossa Constituição.
Outrossim, destaca-se a falta de educação digital na sociedade brasileira como impulsionadora do problema. Nota-se que uma grande parcela da população não costuma checar as publicações antes de compartilha-las; outros, já não acreditam em mais nada do que é veiculado pela internet. Desse modo, ao propagar uma notícia sem fontes confiáveis, há um prejuízo à credibilidade das demais, sendo algo extremamente nocivo, pois gera uma rede de desinformação coletiva que pode, por muitas vezes, não ter conserto.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Destarte, as emissoras de televisão em parceria com sites jornalísticos confiáveis, devem criar, por meio de debates e reportagens, campanhas contínuas de checagem de notícias duvidosas, promovendo o interesse pela busca da verdade e o esclarecimento ao grande público. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por especialistas, que discutam o combate e a identificação das fake news, para que o ideal iluminista possa se fazer verdadeiramente presente em nossa sociedade.