Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 03/10/2018

A Imprensa Alternativa Ameaçada Pelas ‘‘Fake News’’

Na década de 1460, a imprensa, impulsionada pela invenção de Johann Gutenberg, ganhou força e serviu de alicerce para a histórica Reforma Protestante. No século XXI, o surgimento da internet representou outro grande salto para a democratização não só do acesso, mas como também da produção de conteúdo. Nesse contexto, se intensificou, também, um elemento que não é novidade dentro da esfera da informação e que se apresenta nocivo às sociedades modernas: as ‘‘Fakes News’’.

As chamadas Notícias falsas tem como principal objetivo a realização de um interesse - na maioria das vezes, financeiro, e ,assim, legitima a visão de Jean-François Lyotard de que a informação e o saber, na era moderna, não tem compromisso e almeja ao lucro - através de um convencimento do leitor acerca de um fato que, à principio, não é verdadeiro. Desse modo, ao serem facilmente compartilhadas e lidas por milhares de pessoas, essas desinformações tendem a provocar sérios prejuízos individuais - deturpação de imagem - e prejuízos ao coletivo - tendo em vista a suspeita da interferência daquelas na eleição presidencial americana de 2016.

Por outro lado, a sociedade, ao se deparar com uma onda de falsas informações vindas principalmente dos novos veículos alternativos de informação - que por sua vez competem com os grandes veículos já estabelecidos - tende a ficar ‘‘com um pé atrás’’ em relação a essas inovações. Consequentemente, a internet, que já se mostrou altamente benéfica para o ser humano, pode vir a ser regulada por amarras estatais e, portanto, ter seu acesso e geração de informação restringidos. Fato esse que, para o funcionamento de uma democracia, é péssimo e abre portas para a mídia tradicional realizar, sem concorrência, a manipulação de informações em benefício próprio. Tal visão corrobora com o pensamento de Thomas Jefferson, um dos Pais Fundadores dos EUA, que preconizava a imprensa livre, sem qualquer censura ou controle, como principal instrumento à serviço da liberdade.

Tendo em vista as consequências das falsas informações, se configura de extrema importância um combate à mesma. Nessa questão, o Estado deve tomar a dianteira não no controle, mas na orientação da sociedade a fim de fomentar o exercício da cidadania e  da responsabilidade individual. Sendo assim, a inclusão da educação digital - atrelada à, já existente, disciplina de informática - a partir do Ensino Fundamental visando ensinar aos jovens como detectar essas desinformações durante o uso da rede se mostra valiosíssima. Em outro panorama, as próprias redes sociais podem ajudar, através de algoritmos e meios de validação de informação, na eliminação de noticias falsas antes da leitura e, com efeito, do espalhamento, assim como já fizeram Google e Facebook.