Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/10/2018
A Constituição cidadã, promulgada em 1988, assegura a todos os indivíduos o direito à liberdade de imprensa. No entanto, a constante disseminação das ‘’Fake News’’ (notícias falsas) fez com que muitos utilizassem desse direito constitucional para veicular informações que podem não estar atreladas à verdade. Nessa perspectiva, deve-se analisar os perigos da propagação dessas notícias mentirosas na era da informação.
A educação é o fator principal no desenvolvimento do país. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido nos dados sobre a difusão de falsas notícias no país. De acordo com o Instituto IPSOS, o Brasil ficou em primeiro lugar no ranking dos 27 países que mais acreditam em publicações falsas divulgadas na internet. Diante do exposto, é inadmissível que a veiculação de informações inverídicas seja ininterrupta, posto que, essas falsas notícias contribuem para a alienação dos indivíduos, que confiam na legitimidade dos boatos por que esses são espalhados por influência de outra pessoa.
Faz-se necessário, ainda, salientar a propagação do ódio como agravante do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da ‘’modernidade líquida’’ vivida no século XXI. Diante de tal contexto, é certo que algumas notícias sem veracidade são levadas a sério e gera retaliações, prova disso foi o ocorrido com a dona de casa Fabiane Maria de Jesus em maio de 2014, que, após boatos gerados em uma rede social de que ela sequestrava crianças e praticava magia negra, foi agredida até a morte na cidade de Guarujá-SP.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um Brasil melhor. Para tanto, o Ministério da Educação deve, em parceria com órgãos de segurança, promover uma educação capaz de mostrar indicadores de ‘’Fake News’’, investindo em educação básica de modo a instigar o senso crítico dos alunos. Tal ação terá função primordial de estimular os jovens a pensar por conta própria e não acreditar em tudo que ver nas mídias sociais. Paralelamente, o Poder Judiciário deve, fazer com que as pessoas que compartilhem inverdades sejam punidas penalmente, com o objetivo de fazer que os indivíduos se preocupem em verificar a informação antes de compartilha-la nas redes sociais. Dessa forma, as ‘’Fake News’’ deixaram de ser uma problemática no Brasil.