Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/10/2018

Em 2016, o referendo para a saída do Reino Unido da União Europeia - o “Brexit” - e a campanha presidencial dos Estados Unidos que elegeu Donald Trump, foram calcadas no uso indiscriminado de “fake news”. Tal fenômeno é inserido no contexto da pós-verdade, onde os fatos têm menos influência em moldar a opinião pública do que os apelos à emoção e crenças pessoais, reverberando em uma sociedade brasileira polarizada e apoiada sobre discursos de ódio e violência. Nesse contexto, torna-se essencial uma discussão profunda acerca desses acontecimentos, bem como a promoção do senso crítico, a fim consolidar uma alfabetização midiática no combate à “fake news”.

Devido a infinidade de informações criadas e compartilhadas nas redes sociais, a filtragem informacional utilizada por usuários dessas redes se fundamenta em seus aspectos emocionais e crenças pessoais. Ao usar apelos com dispositivos sentimentais, aliadas às manchetes sensacionalistas com o intuito de impressionar o leitor, as notícias falsas agem como um vírus autoimune ao se disseminar pelo senso comum e consequentemente moldando a opinião pública. Diante disso, é perceptível que os fatos e acontecimentos verídicos perdem sua importância no debate público ao serem substituídos por informações de conteúdo duvidoso na formação de opinião.

Como resultado, observa-se uma sociedade altamente polarizada, em que suas convicções e bandeiras são fundamentadas em conteúdos de veracidade duvidosa, muitas vezes cristalizados em violência física e verbal. Um exemplo disso é um fato ocorrido em 2014 na cidade de Guarujá, litoral paulista: uma dona de casa foi espancada até a morte por moradores da cidade devido a disseminação de boatos acerca de sua participação em rituais. Tal crime, motivado por informações falsas, evidencia o limiar atingido pelas “fake news”. De tal maneira, a sociedade brasileira mostra-se com patologia destrutiva ao cristalizar a intolerância e a violência em seu cotidiano.

Portanto, diante desse perigoso fenômeno, é necessário que o Governo, em conjunto com a imprensa e as redes sociais, promova um programa de alfabetização midiática, o qual se daria por meio de campanhas publicitárias sobre como identificar uma “fake news”, demonstrar sua periculosidade e divulgar as agências que fazem checagem de informações, como a Agência Lupa, da revista Piauí. Tal proposta pretende estimular o senso crítico no meio virtual, a fim de recriar um espaço de diálogo e diminuir a veiculação e disseminação das notícias falsas nas redes sociais. Com isso, será possível reverter um quadro destrutivo e preocupante, com o intuito de que a era da informação não se torne a era da pós-verdade.