Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 08/10/2018

Na obra “Modernidade líquida”, o autor, Zygmunt Bauman, fala sobre a fluidez das relações sociais, nas quais emergem o individualismo e a efemeridade. Analisando o pensamento de Bauman e relacionando-o à sociedade brasileira é indiscutível a influência das redes sociais na construção das relações. No entanto, nem tudo que circula pelas mídias sociais é verdadeiro e as “Fake News” vem sendo um grande problema moderno, já que, atualmente, essas notícias são cada vez mais frequentes, ocasionando problemas nas corridas eleitorais e também na saúde pública.

Nesse âmbito, no ano de 2018, o Ministério da Saúde Brasileiro divulgou notas relacionadas ao reaparecimento da poliomielite, doença viral que, geralmente, atinge crianças de até 4 anos de idade, em 312 localidades. Nesse mesmo período de risco, haviam sido divulgados boatos em redes sociais, relacionados a vacinação contra a poliomielite e o número de crianças vacinadas havia caído em grande escala. Sendo assim, tona-se extremamente perceptível o poder de coerção  das mídias sociais na vida de toda a população e os grandes problemas de saúde pública  que a divulgação de notícias inverídicas podem acarretar.

Nesse contexto, segundo levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP), aproximadamente 12 milhões de pessoas compartilharam falsas notícias no Brasil, em junho de 2018. Entre as inúmeras “Fake news”, vale salientar a disseminação de notícias sobre os candidatos a cargos políticos no ano de 2018, já que esse período eleitoral foi marcado por grande tensão social entre eleitores e elegíveis. Desse modo, reforça-se a ideia de que a modernidade é marcada por relações virtuais cada vez mais fluidas, cheias de inverdades, que têm fim muito rapidamente, já que de acordo com Bauman: “Vivemos em um tempo líquido. Nada foi feito para durar”.

Portanto, na tentativa de aplacar o maior número de notícias falsas, divulgadas nos mais diversos meios de comunicação e solidificar ,cada vez mais, as relações virtuais marcadas pela fluidez, como afirma Zygmunt Bauman, o policiamento entre internautas é medida que se impõem. Nesse aspecto, usuários podem agir procurando certificar a veracidade de notas que recebem, por meio da pesquisa sobre aquela notícia, da verificação na credibilidade da fonte e da denúncia, caso a notícia não seja verídica. Por fim, a conscientização individual é imprescindível, já que todo ser social deve ter a consciência de que uma notícia tendenciosa pode influenciar muito na vida das pessoas. Feito isso, será possível diminuir, gradativamente, o número de compartilhamento de notícias falsas e aumentar o impacto positivo das redes sociais como meio de comunicação global.