Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 08/10/2018
A frase “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” do Ministro da Propaganda Nazista Joseph Goebbels mostra o poder de uma informação errônea sob uma forte difusão. Nesse sentido, a problemática das “fake news” tem sido recorrente em todo o globo, ao passo que o grande alcance da internet favorece a sua rápida dispersão, seja na promoção de discursos de ódio, seja na alienação das massas. Dessa maneira, é pertinente analisar como a falta de agentes de combate e a pouca instrução da população dificultam a atenuação desse quadro no Brasil.
Em primeira análise, a carência de investimentos na segurança pública para lidar com as notícias falsas estabelece um cenário de impunidade. Isso porque o advento da internet como um dos principais meios de comunicação, fez com que várias pessoas utilizassem esse canal como uma maneira de obtenção de lucro, por meio do número de acessos. Desse modo, crimes atribuídos à adulteração de fotos acompanhadas de dados tendenciosos têm sido um dos principais fatores do quadro, sobretudo, tendo as pessoas públicas como alvo, visto que notícias sensacionalistas chamam mais a atenção do leitor e além do fato da internet ser um dos meios mais populares de informação. Exemplo disso, são dados do Instituto Reuters que estima em 91% o número de brasileiros que utilizam a internet para se informar. Logo, em razão desse fator de popularidade e poucas ações de combate cibernético, os autores das “fake news” não se sentem intimidados, visto a certeza da impunidade.
Além disso, é válido analisar como a falta de instrução da população impõe riscos ao seu próprio bem-estar social. Isso decorre de um sistema educacional que pouco contribuiu para a formação do sendo crítico dos cidadãos, o qual é amparado em um viés de observações precipitadas. A crônica “O assalto” do escritor Drummond evidencia os perigos das constatações impulsivas, passíveis de serem errôneas, como o termo polissêmico - Isto é um assalto! - abordado no conto. Nessa esfera, não obstante a internet tenha democratizado o acesso às informações, a leitura no meio virtual de maneira precipitada, sem se atentar para a veracidade do fato, atua para o fortalecimento, sobretudo, dos discursos de ódio, num âmbito de alienação, decorrente da escassez de formação crítica e ética.
Infere-se, portanto, a adoção de medidas capazes de conter o avanço das notícias falsas. Assim, o Ministério da Segurança Pública, através da ampliação de recursos, deve criar um órgão de fiscalização e combate às “fake news”, numa atuação concisa, sobretudo, nas redes sociais, com o fito de coibir e intimidar os indivíduos que promovem essa disseminação. Por fim, cabe às escolas, a construção de debates com os estudantes no âmbito da área de linguagens, pautados na construção crítica e ética, a afim de empoderar o corpo social para lidar com a promoção de informações falsas e tendenciosas.