Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/10/2018

Conforme enuncia o sociólogo Octávio Ianni, a globalização é inerente às sociedades contemporâneas e, por isso, vive-se o ápice das telecomunicações. Nesse cenário, assim como a televisão foi o principal veículo de disseminação de notícias na década de 1950, hoje, a via cibernética cumpre essa função, no entanto, com um diferencial: o anonimato e a rapidez das divulgações, o que favorece a proliferação de notícias falsas. Como novidade na era da informação, isso demonstra a carência de iniciativas que rechaçam as fake news devido, sobretudo, à intensificação do capitalismo e à falta de educação digital, constituindo desafios a serem enfrentados.

Primeiramente, quando os sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer exprimem a submissão das sociedades a padrões pré estabelecidos por empresas que visam somente ao lucro, evidencia-se a influência do capitalismo na disseminação de fake news, haja vista a superestimação do ideal lucrativo em detrimento de qualquer compromisso de espalhar fatos. Nesse contexto, há entidades que fazem das fake news um comércio e quanto mais os internautas acessarem, melhor. Nessa direção, a informação é deturpada, comprometendo debates sadios nas redes sociais, como é observado em períodos de eleições, nos quais os indivíduos buscam mais informações de candidatos. Dessa maneira, a população é orientada inadequadamente, desfalcando o compromisso com a verdade.

Além disso, segundo relata o autor Ray Bradburry, no livro Fahreiheit 451, é necessária a difusão de informações para desenvolver senso crítico nos indivíduos, o que ilustra as consequências negativas da não conscientização da sociedade acerca do mundo digital na manutenção de fake news. Nessa perspectiva, se um cidadão, por motivos de diversão, inventar algo de outra pessoa, a rápida proliferação dessa notícia pode comprometer a vida de um indivíduo, já que o Estado de Direito, respaldado nos ideais de Rousseau, garante os direitos à honra, à personalidade e à imagem de todos. Dessa forma, a falta de conscientização social deve ser mitigado.

Fica claro, então, o mau prognóstico do desenvolvimento de medidas as quais retardam as fake news. No propósito de minimizar tal problemática, o Ministério das Telecomunicações pode fomentar o estudo de programas que identificam notícias falsas na internet por meio de subsídios a universidades públicas da área de engenharia da computação para a criação de algoritmos que promovam tal reconhecimento, porque, assim, haverá menos influência das mentiras estabelecidas por determinadas entidades. As escolas, ainda, devem estimular a  educação digital por meio de aulas de informática, bem como da promoção de debates a respeito da dimensão que as fake news podem acarretar, pois os alunos desenvolverão o hábito de analisar qualquer notícia antes de repassá-la.