Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 08/10/2018

Com o crescimento das mídias sociais, advindo de novas tecnologias comunicativas, abriu-se espaço para o veículo de grande contingente informacional. Observa-se, contudo, em cenário atual, o recrudescimento na divulgação de conteúdos inverdadeiros. Segundo John Locke, o ser humano apresenta habilidade cognitiva capaz de absorver as experiências e, apesar de vivê-las, necessita de aprofundamento em suas vivências e seus conteúdos para concatená-las como conhecimento. O direito a ele, de maneira comparativa, é violado quando o indivíduo é submetido às inverdades, as quais manipulam o sujeito exposto. Discutem-se, assim, os perigos das fake news na era da informação.

Destaca-se, a princípio, o potencial de informações falsas promoverem a ignorância em termos referentes à saúde, contribuindo para riscos graves à sociedade. Pontuam-se as reportagens encontradas online de receitas para cura de doenças como diabetes e câncer, sem quaisquer respaldos científicos. Estas, ao leitor ingênuo e desavisado, podem representar a morte, caso sejam seguidas. Em consonância, tem-se o conceito de razão instrumental, proposto pela Escola de Frankfurt, no qual se aponta haver o uso de argumentos, quase sempre infundados, dominando as massas. Percebe-se, no entanto, que a alienação, devido à circulação de fake news, transcende questões doutrinárias e torna-se, pois, muito mais preocupante por apresentar a capacidade de causar óbitos.

Ademais, nota-se ameaça das notícias falsas aos regimes democráticos vigentes no mundo. As eleições dos EUA de 2017, por exemplo, foram afetadas pela amplas circulação e aceitação de tais conteúdos, influenciando nas votações que fizeram Donald Trump chegar ao poder. Essa tendência é contundente em todo o mundo, digladiando com a cidadania e a verdade. O sociólogo Jürgen Habermas propõe a discussão argumentada como artifício para o consenso. Ele afirma que não se pode impor um ponto de vista. O que se percebe, todavia, é o retrocesso, já que se inviabiliza o direito de o indivíduo saber da manipulação sofrida, e este, à força, apreende ideias errôneas.

Pondera-se, destarte, haver desafios ao combate às fake news. Para mitigar esse problema, é necessária a atuação do Ministério da Saúde, com CRMs, veiculando notícias confiáveis e sérias acerca de doenças e tratamentos. Ainda, este deve reforçar a importância de o cidadão consultar médicos com periodicidade. O objetivo: instruir a população, com conteúdo verdadeiro, e evitar mortes por diagnósticos online e crimes à saúde pública. O Ministério Público e o TSE devem investigar e punir os casos descobertos de páginas de fake news cibernéticas e promover campanhas com mídias sociais para desativá-las, auxiliando no fortalecimento da democracia e do conhecimento e melhorando o nosso país.