Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 22/10/2018
Mídias: o quarto poder
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Ministro da Propaganda alemã, Paul Goebbels, destacou-se pela capacidade de manipulação e alienação da população, por meio de publicações falsas e tendenciosas ou meias verdades. Atualmente, essas são denominadas Fake News e, ainda que não legitimem um governo fascista e genocida, acarretam em nefastas consequências no Brasil. Uma vez que influenciam política, social e economicamente o mundo globalizado, difundindo-se rapidamente na Internet, mecanismos para conter as Fake News tornam-se imprescindíveis.
É fato que a propaganda manipulativa nazista inaugurou a televisão na década de 1930; contemporaneamente, as mídias tecnológicas corroboram com o instantâneo e acrítico repasse das Fake News, viralizando-as e aumentando seus riscos. No Brasil, isso se comprova no caso do compartilhamento de calúnias, logo após o assassinato da parlamentar Marielle Franco, na tentativa de relacioná-la ao crime organizado e justificar o injustificável: o silenciamento de sua luta política pelas minorias. O anonimato das fontes criadoras das Fakes News e a sensação libertinagem no mundo virtual trabalham a favor da impunidade de crimes como esse, bem como da facilidade de moldar a opinião pública, já que essa adentra em um espécie de bolha de informações e cegamente as repassa, sem antes garantir a veracidade dessas em rápidas pesquisas online.
Ademais, as Fake News popularizaram-se no período denominado ‘‘pós-verdade’’, no qual, contrário ao racionalismo apregoado no Século das Luzes, a verdade perde força frente às crenças e os posicionamentos pessoais. Por isso, o mecânico comportamento já explicitado se justifica e o crivo pessoal suplanta a realidade do fatos -como consequência, especula-se que foram as Fake News as responsáveis por influenciar o eleitorado estadunidense a eleger Donald Trump. Não obstante, o indivíduos fecham-se em bolhas virtuais e passam a crer fielmente em tudo que leem e visualizam ali, nesse contexto, o jornalismo profissional perde espaço para sites que lucram com ‘‘clicks’’ em suas falaciosas notícias, manipulando e alienando opiniões, tal como Goebbels fizera.
Em síntese, já que as mídias passam a constituir o quarto poder e objetivando conter os problemas advindos das Fake News, faz-se necessário que o Ministério das Comunicações apele às Câmaras parlamentares para a criação de lei federal que obrigue o Estado a investir em cybersegurança e em maior fiscalização policial nas redes, bem como puna com sanção econômica e educativa indivíduos geradores de Fake News e submeta as redes sociais a criarem mecanismos que contenham a viralização das mesmas, por meio de maior controle do que se difunde no mundo virtual.