Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 20/08/2018
Os sofistas da Grécia Antiga eram fortemente criticados pelos filósofos da época devido a sua retórica apurada, porém sem preocupação da veracidade de suas informações, tendo como único objetivo vencer a discussão. Tal fato remete a polêmica atual à cerca das fake news, que embora não seja um fenômeno exclusivo da atualidade, têm sido disseminadas em escalas nunca vistas antes.
As fake news têm causado impacto de inúmeras formas, sobretudo no ramo político. Sendo 2018 um ano de eleições presidenciais no Brasil, tais notícias podem ter uma grande importância no resultado final do pleito. O uso das notícias falsas em campanhas eleitorais com o intuito de caluniar e deslegitimar seu opositor não é novidade no país, nem no mundo, mas suas consequências nunca foram tão decisivas. Outrossim, investigações feitas pelos Estados Unidos afirmam que as fake news tiveram grande influência na eleição de Donald Trump como presidente, visto que Hillary Clinton, sua principal rival, foi fortemente atacada por essas fraudes. O uso da mídia como meio de reforçar um ideal ou convencer a população através da deturpação da verdade remonta o cenário da Alemanha Nazista, a qual teve a publicidade - muitas vezes falaciosa ou exagerada - como marca.
Paralelo ao uso da mídia pela classe detentora do poder a fim de persuadir a população, há ainda um desinteresse por meio desta em relação à veracidade das informações propagadas por ela. A massa pseudo-pensante não se preocupa se aquilo que está compartilhando em suas redes sociais é verdade ou não, assim, apenas repetindo o que está sendo dito pelos meio de comunicação - muitas vezes sem credibilidade. Quanto mais as fake news são difundidas, mais danosa ela se torna, visto a dificuldade de retratação. Com o intuito de provar seu ponto de vista ou difamar algo ou alguém, a população se utiliza dessas notícias, não tendo dimensão do custo de tal prática.
Em suma, a resolução de tal problemática é bilateral. Cabe à população a responsabilidade pelo conteúdo disseminado, tendo a mesma que averiguar a credibilidade das fontes e de seus autores, assim como também compete aos meios de comunicação o desenvolvimento de novas tecnologias a fim de melhor filtrar seus conteúdos, tendo como exemplo o Facebook - maior rede social da atualidade - a qual já permite que seus usuários classifiquem a confiabilidade das fontes de notícia, assim respeitando a linha tênue entre filtro e censura. O sofismo, apesar de séculos após, se encontra intrínseco à sociedade nas mais diversas formas.