Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/08/2018

O filme “The Paper”, criado por Ron Howard em 1994, retrata a rotina dos profissionais do setor jornalístico e seu empenho em promover a divulgação de notícias verídicas. No Brasil contemporâneo, no entanto, vê-se que a disseminação de inverdades tem atingido um número cada vez maior de pessoas, de maneira a caracterizar a chamada era da “Pós-verdade”. Nesse sentido, seja devido à má administração, seja aos interesses político-econômicos, faz-se necessário a adoção de práticas que inibam tal impasse.

Mormente, observa-se que a facilidade de divulgação corrobora a problemática. Isso porque, apesar das notícias falsas não serem atuais, com o advento da globalização e da internet, sua transmissão tornou-se mais efetiva e abrangente. Com isso, em virtude do excesso de informações, a maioria dos indivíduos não investiga as fontes e a vericidade daquilo que compartilha e, assim como defende Joseph Goebbels, contribuem para a multiplicação das “Fake News”, de forma a atribuir-lhes um teor verídico. A título de exemplo, consoante dados do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), as notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras.

Ademais, nota-se ainda que os informes incertos podem influenciar os debates político-sociais. Sob uma ótica meramente histórica, na década de 1920, o então candidato a presidência Artur Bernardes foi acusado de escrever cartas as quais provocaram revoltas tenentistas e o esgotamento da sociedade agroexportadora. Nessa perspectiva, muitos indivíduos, em virtude de motivações financeiras ou de cunho político, criam fatos os quais distorcem a consciência e prejudicam a ação social. Além disso, não obstante a legislação iniba tal prática, a impunidade impulsiona o problema, tal como analisado, por exemplo, na ação do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar as publicações eleitorais na internet, de forma a propiciar o avanço de informações ilegítimas e manipulações políticas.

Urge, portanto, que as “Fake News” tem um conteúdo malévolo e deturpam a capacidade de convivência. Destarte, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar uma estrutura abrangente de combate às notícias falsas, por meio da criação de campanhas e palestras, ministradas por jornalistas e especialistas em tecnologia, sobre os riscos e a importância de verificar o conteúdo compartilhado, a fim de garantir a consciência e o uso correto das redes sociais. Outrossim, o setor midiático e o Ministério da Justiça devem se unir para construir um mecanismo de denúncia no espaço virtual, o qual confisque e identifique o autor do material publicado, a partir de ouvidorias onlines e do rigor na aplicação das penas; com o intuito de atenuar sua difusão. Dessa forma, o esforço do setor jornalístico exposto em “The Paper” será atingido fora da ficção.