Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 21/08/2018
Na Grécia Antiga, os sofistas, mestres da retórica, buscavam persuadir os interlocutores acerca de um fato não necessariamente verdadeiro. Isso demonstra que a divulgação de notícias falsas, visando à legitimação de determinadas ideologias, não se configura em um fenômeno recente. Nesse sentido, a internet potencializou o poder de alcance de tais informações e, consequentemente, seus efeitos deletérios. Com isso, surge a problemática das notícias falsas que persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela educação digital deficitária, seja pela ineficácia da fiscalização.
É importante analisar, antes de tudo, a inexistência de uma cultura de educação digital como uma das causas do problema. Conforme o princípio da coercitividade defendido pelo sociólogo Émile Durkheim, o meio social determina as condutas do indivíduo. Dessa forma, ao se deparar com uma postagem apelativa compartilhada por alguém conhecido, a maioria das pessoas tende a reproduzi-la, sem sequer analisar a fonte das informações. Assim, há o fortalecimento desse comportamento no ambiente digital, enraizando a problemática no país devido à ausência de cidadãos críticos.
Ademais, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, a indústria dos cliques, que gera e dissemina notícias falsas -economicamente vantajosas para quem as produz -, beneficia-se da ineficiência de fiscalização acerca da veracidade das notícias. Esse quadro afeta negativamente a construção da opinião pública, fere a credibilidade da mídia e prejudica o acesso à informação, impedindo o pleno exercício da cidadania, o que comprova que a sociedade avançou tecnologicamente, mas não eticamente.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para que a internet não seja um canal de difusão de inverdades. A fim de atenuar o problema, a escola deve promover a educação digital por meio de aulas de informática sobre segurança e comportamento na internet, visando à formação de indivíduos capazes de discernir fontes confiáveis de notícias deliberadamente mentirosas. Além disso, cabe ao o cabe ao Estado, por meio do Poder Judiciário, fazer cumprir medidas legais que punam adequadamente aqueles que, por meio da divulgação de inverdades, prejudiquem indivíduos e instituições. A mídia, em parceria com as redes sociais, deve realizar campanhas socioeducativas, a fim de alertar a população quanto aos riscos de divulgar informações não verídicas e, com isso, reduzir a sua disseminação. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, regido pela liberdade de expressão e uso democrático da internet.