Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 14/08/2018

A brincadeira popular “telefone sem fio”, tem por objetivo transmitir uma informação até chegar ao último participante sem que a mensagem seja alterada, no entanto, durante o trajeto essa mensagem pode ser distorcida e acrescentada. Embora pareça ser uma diversão, a sociedade presencia essa realidade, uma vez que a disseminação de notícias falsas é cada vez mais frequente. Desse modo, cabe analisar como a ausência da reflexão e a busca por “likes” nas redes sociais contribuem para os perigos das fake news.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que há uma perda da reflexão no mundo contemporâneo. O ato de refletir depende de estímulos e preparos, e em um mundo imediatista com grande quantidade de informações -como é vivenciado - é natural que os indivíduos hajam de modo inconsciente e impulsivo para tentar absorver o maior número de notícias, o que acaba gerando indivíduos desinformados. Nessa sentido, os fake News são facilmente disseminados devido serem formulados com artifícios que conferem “verdade” como a simulação de sites confiáveis na sociedade.

Além disso, a busca por aprovação no mundo virtual limita a percepção. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é caracterizada pelo enfraquecimento das relações interpessoais, visto que os valores como o respeito e a empatia têm se tornado ausentes. Nesse contexto, a busca incessante por conseguir “likes” e reações positivas na internet pelas publicações muitas vezes sem veracidade ou até distorcidas sobre um indivíduo, na maioria, faz fechar os olhos para uma determinada realidade. Em consequência, alguns casos terminam em tragédia, como difamação, violência e até a morte. Prova disso é o caso de um veterinário que ao ser difamado nas redes sociais perdeu credibilidade no seu serviço devido a disseminação de conteúdo falso a seu respeito, segundo o fantástico.

Fica evidente, portanto, que meios são necessários para o combate das fake news. Para isso, cabe às empresas de tecnologia e redes sociais desenvolverem algoritmos, por meio de pesquisas, que sejam capazes de detectar a veracidade das informações e em casos negativos excluí-la a fim de reduzir a quantidade de fake news e garantir a segurança na era digital. Ademais, cabe ao Ministério da Cultura e Educação desenvolverem projetos como a semana da informação, por meio de palestras filosóficas e jogos interativos que estimulem os indivíduos a realizar o processo de reflexão para que as notícias sejam absorvidas e apuradas , a fim de garantir leitores cada vez menos desinformados, inconsciente e impulsivos, consequentemente diminuindo a propagação de conteúdos falsos. Só assim poderemos distanciar a realidade da brincadeira do “telefone sem fio” e garantir a percepção de novas realidades.