Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 11/08/2018
“Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou regredimos.” Se Euclides da Cunha ainda estivesse vivo, já teria conhecimento do caminho que a sociedade escolheu. Afinal, uma população que usa a internet para espalhar notícias falsas, manipulando a sociedade e dispersando o negacionismo histórico evidencia o regresso de uma sociedade que se diz “civilizada”. Nesse contexto, a fácil disseminação de fatos e os efeitos nocivos para a sociedade tornam as Fake News um grave problema contemporâneo.
Em uma primeira análise, é válido entender como o negacionismo legitima a fake news. Na ciência, o negacionismo é definido como a rejeição de conceitos básicos, incontestáveis e apoiados por consenso científico em favor de ideias tanto radicais quanto controversas. Hodiernamente, no Brasil, uma notícia falsa espalhada confirmaria o fato de que as vacinas fazem mau para as pessoas. Essa notícia, depois de espalhada, se tornou instrumento de estudos de um grupo que passou a defender que as vacinas eram criadas para prejudicar a população, fazendo com que muitos brasileiros aderissem ao “Brasil sem vacina”. Como consequência desse boato espalhado na rede, doenças como poliomelite e sarampo - antes sob controle da Organização Mundial de Saúde - estão voltando a erradicar a população.
Além disso, as Fake News colaboram para a alienação do conhecimento. Isso acontece porque, quando uma notícia falsa com um título sensacionalista ou com um corpo de texto que careça de fontes concorda com determinadas opiniões pré-estabelecidas, ela tem mais chances de ser compartilhada visto que, num momento de intensa polarização ideológica, as pessoas estão em busca de cada vez mais argumentos que justifiquem seus posicionamentos. Em resumo, os produtores de notícias falsas se aproveitam da ingenuidade e da falta de autocrítica e de checagem de informações.
Diante da situação exposta, medidas devem ser tomadas para reverter essa situação. Cabe às instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca desse assunto em palestras elucidativas por meio de dados estatísticos e de pessoas envolvidas com o tema, para que a sociedade civil, não seja complacente com a cultura das fake news. Por fim, cabe ao poder público, fortalecer as políticas estaduais para enfrentamento dessas falsas notícias, capacitando a população a reconhecer essas notícias por meio, por exemplo, de propagandas em redes sociais e transportes públicos que ensinem como denunciar e acabar com as fake news, a fim de formar multiplicadores em prevenção desse problema. Com essas medidas, quem sabe os leitores de Euclides da Cunha vejam que a sociedade escolheu progredir.