Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/08/2018
Segundo o historiador Robert Darnton, há registros de que, no século VI, Bizantino Procópio escreveu um livro com relatos falsos a fim de prejudicar o Imperador Justiniano. Dessa forma, é possível perceber que as notícias falsas sempre existiram. Contudo, com o advento da internet, sua disseminação tornou-se mais fácil, rápida e com um extenso alcance geográfico, trazendo consequências principalmente para a democracia brasileira, ameaçando fomentar grande manipulação política e uma opinião pública influenciada.
No livro 1984, de George Orwell, o protagonista Winston trabalha para o governo do ‘Grande Irmão’, e sua função é falsificar os registros históricos para moldar o passado de acordo com os interesses políticos do presente. A partir disso, é notório como as ‘fake news’ podem fragilizar a democracia de um país, uma vez que favorece apenas um ponto de vista político. Tal fato pode ser exemplificado por meio do caso da notícia falsa veiculada pelo Whatsapp e redes sociais no Brasil, na qual o senador estadunidense Harry Macgaren supostamente havia feito um discurso no congresso norte-americano dizendo que os Estados Unidos deveriam agir no governo brasileiro. No entanto, o senador sequer existe, mostrando o perigo de se confiar e compartilhar essas reportagens.
Assim, é notório como a facilidade com que tais informações fraudulentas percorrerem distâncias ultra-fronteiriças graças à internet debilita a atividade democrática de um país, já que deixa os cidadãos à deriva da democracia, sem saber em quem e no que acreditar. Além disso, a descrença no sistema político nacional propicia a venda de votos por produtos de necessidade básica ou bens de consumos duráveis, mantendo a estrutura de falácias progressistas e de uma concentração de poder desequilibrada entre os indivíduos, estagnando o desenvolvimento de um país mais justo, igualitário e que garante o pleno exercício da cidadania.
Destarte, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Justiça, por meio das verbas dos impostos dos cidadãos, promova palestras de Educação Digital na urbe e nas escolas, ministradas por advogados, jornalistas e historiadores, informando sobre como identificar uma notícia falsa, o perigo de compartilhá-las para a sociedade e para a democracia e divulgando as leis que punem o crime de injúria e calúnia tanto no ambiente virtual, quanto no ambiente real. Essas ações serão realizadas com o fito de conscientizar a população e torná-la repleta de cidadãos mais ativos e críticos acerca dos impactos das ‘fake news’ para o Brasil, permitindo que não haja interferência de tais fraudes no processo de construção de uma nação mais justa e democrática.