Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/08/2018
Na década de 30, o Plano Cohen foi apresentado pelo governo brasileiro, no qual continha um suposto plano de comunistas que queriam tomar o poder. Entretanto, anos mais tarde ficou comprovado que esse documento foi falsificado e utilizado como justificativa para instauração da Ditadura Vargas. Contemporaneamente, essa reflexão materializa-se com acentuada coerência, e ainda hoje a disseminação de notícias falsas faz-se presente, gerando muitas consequências negativas para a sociedade.
Em uma primeira análise, sob a ótica social, o crescente compartilhamento das chamadas “Fake News” possui estreita relação com a Revolução Técnico-Científico Informacional, a qual tornou a propagação das mesmas imediata e de escala global. Nesse cenário, uma vez que boa parte trazem informações tendenciosas e sensacionalistas, forma-se uma sociedade alienada por não buscar a veracidade dos fatos. Em vista disso, a propagação informacional permanece inconsistente, podendo levar a população a cometer atos irreparáveis, como ocorreu com uma mulher em São Paulo em 2014 que foi espancada até a morte após ser acusada equivocadamente de praticar magia negra com crianças.
A compreensão maquiavélica, a partir de estudos publicados na obra “O Príncipe”, defende que “os fins justificam os meios”, dessa forma o setor político também é amplamente afetado pelo compartilhamento de notícias falsas. Isso por que, muitos candidatos utilizam desse artifício durante as campanhas eleitorais, o que fundamenta as reflexões estabelecidas pelo autor, uma vez que por meio de informações mentirosas e imprecisas, é possível de fato se beneficiar e ascender ao poder. Dessa forma, a sociedade aprofunda-se em um cenário de comprometimento da democracia, fato muito questionado nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, na qual a vitória de Donald Trump teria sido conquistada por meio de “fake news”.
A fim de combater essa grave problemática e garantir informações sólidas à população, é preciso que as redes sociais juntamente com o setor de investigação policial desenvolvam técnicas através de investimentos e estudos que possam monitorar as publicações, retirando do ar páginas que contenham informações falsas e punindo os responsáveis. Nesse contexto é fundamental que o Poder Legislativo e o Judiciário promovam a criação e aplicação respectivamente de leis que penalizem esses indivíduos. . Bem como, que seja promovida uma educação digital, com dicas e alertas que auxiliem as pessoas a reconhecer a veracidade das notícias, principalmente, em anos eleitorais. Com isso construir-se-á uma sociedade mais reflexiva.