Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/08/2018

A disseminação de notícias falsas sempre existiu ao longo da história: o Plano Cohen, por exemplo, suposto planejamento de revolução comunista no Brasil, foi o que justificou a implantação da ditadura Varguista e o Estado Novo na década de 30. Entretanto, a evolução técnico-científica dos meios de comunicação fez com que tais boatos e mitos se propagassem com maior rapidez, tornando o problema uma ameaça à democracia e a direitos constitucionais. Visto isso, analisar os efeitos nocivos das chamadas fake news é essencial para encontrar medidas que solucionem a problemática.

De início, deve-se destacar que o compartilhamento de tais notícias é extremamente prejudicial à maioria da sociedade. Além do poder de deslegitimar movimentos sociais, pessoas físicas e jurídicas com boatos mal intencionados, o compartilhamento daquelas colabora para alienação da sociedade, uma vez que a deixa alheia à realidade. Desse modo, viola o direito constitucional de acesso à informação e contribui para uma sociedade menos crítica.

Outrossim, as fake news afetam a credibilidade da grande imprensa. Atraídos pelas manchetes verossímeis, os indivíduos compartilham e acessam mais fontes falsas em detrimento dos grandes veículos de comunicação. Assim, formam uma grande rede de desinformação e, simultaneamente, geram insegurança quanto as notícias publicadas pelos portais confiáveis de notícias, como os jornais O Globo e Folha de São Paulo.

Desse modo, medidas são necessárias para reduzir os perigos oferecidos pelas chamadas notícias falsas. Como medida de longo prazo, o Poder Público deve dar continuidade ao processo de aprovação da lei 6812/2017, que criminaliza a publicação e o compartilhamento de notícias falsas. Com o mesmo intuito, as grandes emissoras da TV aberta devem elaborar uma campanha publicitária que alerte a população sobre o perigo dos boatos na rede e, ao mesmo tempo, dê instruções sobre como identificar notícias falsas. Do mesmo modo, cabe ao Ministério da Educação distribuir panfletos e cartazes nas escolas do país que mostrem, de forma didática, as consequências dos boatos nas redes e que ensine aos discentes formas de identificar e alertar pais e amigos sobre as notícias falsas. Ademais, cabe ao indivíduo ter cautela e consciência no compartilhamento de informações nas redes sociais, analisando as fontes das notícias e pesquisando sobre os assuntos, substituindo os conhecimentos flexíveis do mundo sensível pelos imóveis do mundo inteligível, idealizado por Platão.