Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 27/07/2018

No final do século XIX, o Brasil se tornou uma República, com um golpe de Estado dos militares, após a disseminação do boato de que o Imperador Dom Pedro II mandara prender os militares republicanos. Tal fato revela a participação das notícias falsas que, mesmo após um século, continuam a exercer grande influência na sociedade, principalmente no meio digital. Dessa forma, é necessário atentar para as barreiras e perigos que as Fake News proporcionam, numa era de muita informação, mas pouco conhecimento.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar o pensamento de José Saramago sobre a civilização atual. De acordo com o escritor, vivemos sob uma cegueira branca, na qual o excesso de informações confunde ao invés de esclarecer e isso nos impede de ver como o mundo, de fato, é. Prova disso é a fragilidade das relações interpessoais, marcada pela falta de empatia entre os indivíduos e a alta propagação de discursos de ódio, embasados com notícias falsas, nas redes sociais. Nesse sentido, as fake news impedem que os indivíduos enxerguem a realidade alienada e manipulada em que vivem.

Em segunda análise, convém destacar como as notícias falsas movimentam a política e a economia. Após as eleições presidenciais dos Estados Unidos, veículos da grande mídia investigaram sobre uma suposta ação de empresas russas na difusão de fake news que favoreceram a eleição de Donald Trump à presidência estadunidense. Isso evidencia a participação de um mercado obscuro de corporações manipuladoras de informações que desejam controlar as massas. Logo, é necessário que a população tome conhecimento sobre como investigar a veracidade de uma notícia.

Torna-se evidente, portanto, que as fake news devem ser reconhecidas e combatidas. Para tal, é necessário que o Congresso Nacional aprove leis que tipifiquem penalmente o ato de difundi-las, de forma a criar espaços para reeducação dos infratores nas redes. Ademais, cabe ao Estado, por intermédio do MEC, em parceria com as redes sociais, implementar as diretrizes de um letramento digital gratuito para a população, principalmente para os jovens - parcela da sociedade que mais utiliza a internet -, com o objetivo de fomentar uma opinião crítica nos cidadãos e auxiliá-los a detectar e interromper o compartilhamento das fake news. Dessarte, a prática efetiva de tais medidas contribuirá para o uso democrático da internet.