Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 25/07/2018
A propagação de “fake news”, “notícias falsas” em português, já foi responsável por mudar o curso da política brasileira. O Plano Coren do governo Vargas, auxiliou a instauração do Estado Novo, ao difundir o falso discurso no qual os comunistas planejavam a tomada do poder. Isso é apenas mais um exemplo dos perigos das “fake news”. Todavia, com a popularização da internet, tornou-se mais fácil disseminar informações inverídicas , o que tem se potencializado com a “indústria dos cliques” e com a falta de senso crítico de boa parte da população frente a esse cenário.
A priori, lucrar com a propagação de falsos fatos não é algo novo. Na Grécia Antiga, os sofistas, chamados “prostitutos do saber”, vendiam seus conhecimentos sem se preocuparem em difundir a verdade, desde que os ouvintes fossem persuadidos pelos fatos mentirosos. De forma análoga, com a monetarização das vizualizações de vídeos e sites, as mídias sociais disseminam matérias sensacionalistas de possível interesse dos usuários, no intuito de ganhar mais acessos. Nesse sentido, indo de encontro ao sociólogo Karl Marx, o capitalismo de fato prioriza o lucro em detrimento de valores, o que contribui para a construção de um mundo mais superficial e com menos preceitos éticos. Outrossim, não se pode negar que a internet é o principal meio de veiculação de notícias falsas, pela velocidade de compartilhamento e pela grande quantidade de usuários. Entretanto, a falta de uma consciência crítica e o comodismo dos internautas, favorece a assimilação de informações prontas, sem nenhum questionamento prévio sobre a veracidade dos fatos. Nesse âmbito, é preciso valorizar o pensamento do filósofo Descartes, que efatiza a dúvida como meio para alcançar a verdade, e, assim, evitar enganos e a perpetuação dessa problemática.
Nessa perspectiva, em um cenário de crescente disseminação das “fake news”, é preciso erradicar os fatores de manutenção desse fenômeno. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, juntamente com o Poder Legislativo, instituir políticas que penalizem, por meio de multas, os meios midiáticos que propagarem quaisquer informações inverídicas, de modo a diminuir a incidências de falsos discursos. Ainda, é fundamental que o Governo Federal invista em propagandas nas mídias sociais, a fim de despertar o senso crítico da população e auxilia-la na identicação de notícias falsas, por meio de procedimentos como passar a checar as fontes e pesquisar a mesma informação em outros sites. Assim, será possível construir um mundo mais transparente e menos superficial.