Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 20/07/2018
Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. A citação do alemão Joseph Goebbels - Ministro da Propaganda durante a Segunda Guerra Mundial -, retrata o poder que a manipulação e propagação de notícias falsas teve para incentivar a devoção dos alemães à Hitler e ao Partido Nazista. No contexto atual, a evolução tecnológica e o amplo acesso à internet facilitam a disseminação de informações inverídicas que, apesar não serem responsáveis por seis milhões de mortes como no nazismo, século passado, geram resultados negativos para a sociedade brasileira. Nesse sentido, convém analisarmos as principais causas, consequências e possível medida relacionadas às “fake news”.
Em primeira análise, destaca-se, principalmente, o aprimoramento do campo “high tech” associado ao lucro da publicidade. O espaço cada vez mais relevante que o tecnologia ocupa na humanidade, com a rápida disseminação de informação, facilita não somente o acesso à um bombardeio diário de notícias, como também possibilita a publicação por qualquer indivíduo. Somado à isso, da mesma forma que a imprensa nazista tinha o gosto pela propaganda a fim de promover o regime, o jornalismo de hoje tem com o anseio de obter lucro. Títulos instigantes, manchetes chamativas e imagens apelativas são alguns dos artifícios utilizados para chamar a atenção do público e obter lucro através do sensacionalismo.
Consequentemente, à medida que notícias sem qualquer veracidade são publicadas, o compartilhamento é responsável pela rápida disseminação, o que transforma uma mentira em verdade. Assim, um grande número de indivíduos têm opiniões precipitadas e até mesmo discursos de ódio nas redes sociais. Sob esse aspecto, um estudo realizado pela agência Advice Comunicação Corporativa indicou que 42% dos brasileiros admitem já ter compartilhado notícias falsas e só 39% checam com frequência as notícias antes de difundi-las. Com isso, as vítimas dessas informações sofrem ameaças, bullying e até morte, simplesmente pela irresponsabilidade da propagação das “fake news”.
Desse modo, a problemática apresentada requer medidas efetivas para que os seus perigos sejam minimizados e não causem o mesmo impacto que o regime nazista. Nesse sentido, o Poder Legislativo deve garantir a proibição e punição de quem cria e dissemina noticias falsas, por meio de um projeto de lei que estabeleça uma parceria entre as redes sociais para que as denúncias de publicações sejam encaminhadas e punidas judicialmente. Ainda é necessário que a mídia, enquanto influenciadora de comportamento, aborde a importância da investigação da fonte e veracidade da informação antes de ser compartilhada. Espera-se, com isso, que as “fake news” sejam menos difundidas.