Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/07/2018

“Todo corpo tende a permanecer em seu estado inicial até que uma força mude sua trajetória”. A incontestável frase do físico Isaac Newton pode ser usada, por analogia, para retratar um grave problema de cunho histórico e persistente no Brasil:  Fake News. Nesse contexto, os agravantes que mantém esse delito inerte são a herança histórica, enraizada na sociedade brasileira, e o uso inadequado da tecnologia, que contribui para a disseminação das falsas notícias.

Convém ressaltar, a princípio, que as Fake News são informações ilegítimas revestidas de artifícios que lhe conferem aparência de verdade. Não raro, vale citar que sua origem é antiga e foram usadas, muitas vezes, com o fito de conseguir prestígio político. Para exemplificar, cabe salientar o famoso Plano Cohen articulado por Getúlio Vargas, em que foram espalhados, através da imprensa, avisos inverídicos sobre o risco de comunistas tomarem o poder. Dessa forma, Vargas conseguiu suspender a Constituição de 1934 e permaneceu na presidência, mesmo findando seu mandato. Sendo assim, observa-se que tal disfunção está no cerne da história do Brasil,arraigado e se agravando.

Outrossim, a utilização inapropriada das redes sociais corrobora para a dispersão rápida e incontrolável das Fake News, gerando consequências substanciais e desastrosas para o alvo da armadilha. Com efeito, cabe ressalvar o caso da vereadora Marielle Fanco, divulgado amplamente pela mídia em 2018,  que teve seu nome vinculado ao de traficantes do Rio de Janeiro, ocasionando revolta de muitas pessoas e tristeza para a sua família. Ademais, as informações fictícias são dispersadas mais rapidamente do que as verdadeiras, em torno de 70%, sendo que 96% dessas situações enganosas são divulgadas por aplicativos de conversas online, de acordo com o estudo de uma Universidade americana realizado em 2017.

Destarte, é de suma importância que o Ministério da Educação junto ao Ministério da Justiça invistam na criação de políticas públicas de conscientização em massa. Tal ação pode ser concretizada através de propagandas midiáticas que serão veiculadas na televisão, rádio e internet, com conteúdos que alertem a população na identificação de uma falsa informação, com exemplos simplórios e verídicos para a sedimentação dessas referências. Além disso, a inclusão de palestras educativas, mensalmente, em escolas e universidades complementaria a compreensão acerca dos perigos e consequências em publicar ou propagar as Fake News. Dessa forma, a união de todos os segmentos da sociedade serão a força desencadeadora do movimento que tirará os delitos da internet de seu estado inicial e constante.