Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 17/07/2018

Segundo os sociólogos Adorno e Horkheimer , surgiu na atual fase histórica a mídia que prioriza a monetização em sobreposição à essência da informação. Sob essa ótica, as “fake news” se mostram como uma ferramenta perigosa na medida em que podem disseminar difamações pessoais ou dados inverídicos sobre a saúde humana, conquanto haja o lucro. Nesse cenário, é imprescindível discutir abordagens que busquem mitigar a existência e conscientizar a população sobre os problemas por trás dessas notícias.

Primeiramente, é válido salientar que a divulgação de informações falsas não se caracteriza como um novo fenômeno. Um exemplo disso é o conceito de bárbaro disseminado na idade antiga, segundo o qual os povos estrangeiros desproviam de civilidade e portanto deveriam ser escravizados ou mesmo exterminados. Entretanto, a evolução da internet fez surgir um mercado por trás das inverdades, elevando-as a um patamar nunca percebido antes.

Dessa forma, a propagação das “fake news” na atualidade se mostram como um resultado da má intenção do elaborador e da ausência de criticidade  por parte do promotor, análise esta presente no conceito de “banalidade do mal” de  Hannah Arendt. Assim, o uso de dados adulterados para difamação pessoal, que acontece com frequência ao parlamentar Jean Wyllys, por exemplo, não possui um único causador, mas sim vários. É importante, pois, deixar claro aos envolvidos a permanência da lei, a qual define ofensa infundada como calúnia, também em ambiente virtual.

Do mesmo modo, a alta incidência de receitas improcedentes para a cura de patologias clínicas preocupa as entidades responsáveis pela saúde nacional. Isso se deve ao fato de que a população mais leiga muitas vezes interrompe o tratamento clínico ou mesmo o dispensa, optando pelos métodos alternativos divulgados na rede. Conforme edição do segundo semestre da revista Veja, os absurdos vão de chás para a cura da diabetes ou até mesmo do câncer.

Com base nessa conjunção de fatores, torna-se nítida a necessidade de ações que busquem combater as notícias falsas. Em primeiro lugar, o Governo Federal em parceria com as grandes redes de mídia aberta devem lançar campanhas audiovisuais expondo cidadãos que foram vítimas dessa modalidade informativa, visando maior comoção social. Concomitantemente, ONGs em conjunto aos centros acadêmicos deverão elaborar cartilhas ensinando formas de se constatar a veracidade de um dado noticiado objetivando assim desenvolver a criticidade da população. Dessa forma, espera-se tornar o mal menos banalizado, os tratamentos mais coerentes e a  sociedade mais justa.