Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 15/06/2018
O livro “True Enough”, de Farhad Manjoo, disserta a respeito das motivações que provocam o bem-comum a disseminar notícias falsas. Através dessa obra, o autor explica que na busca de informações, uma sociedade na qual compreende a mídia como hostil, torna-se suscetível a assumir um papel enviesado e difundir uma ideia errada. Hoje, o compartilhamento de “fake news” é um acontecimento regular e displicente, devido às decorrências dessa postura, o que acentua o analfabetismo midiático e a falha do Poder Legislativo. Ora, permanecer com o pensamento de dispor da verdade absoluta, é ser um prisioneiro de uma ilusão.
Tal encarceramento reafirma uma coletividade leiga e negligente ocasionada pela ausência de uma educação social. Dado que de acordo com um estudo da Universidade do Sul da California, conhecido como “Efeito Doutor Fox”, uma informação quando publicada de forma entusiasmada e bem humorada, mesmo que infudada, é mais aceita que uma neutra e fundada. Tal pesquisa salienta o perigo do compartilhamento de notícias falsas, no qual podem conceber desde um mal-entendido à morte de um cidadão inocente, como ocorreu na África do Sul entre 2000 e 2008, quando o então presidente Thabo Mbeki acreditou em uma pesquisa inverídica, suspendeu a distribuição de vacinas promovendo a morte de 330 mil sul-africanos. Desse modo, a carência de civilidade é um princípio de regresso.
Outrossim, no Brasil, a falha da legislação figura na raiz dessa vicissitude. Uma vez que há a inexistência de leis que repudiem práticas de criação e propagação de conteúdos adulterados. Essa displicência ante a sociedade, proporciona o crescimento de “fake news” e consequentemente gera impasses em pesquisas, como denunciou o presidente do IBGE à rádio “Agência Brasil”, no qual apontava a disseminação de conteúdos aparentes como um desafio para institutos de estatísticas. Assim, em solo de conveniências, exercer avanços à sociedade não transparece prevalência.
Lidar com essa problemática, portanto, requer um conhecimento quanto aos perigos das “fake news”. Para isso, é substancial que agentes intervenham no processo, a priori, o Estado deve sugerir políticas públicas por meio do legislativo com a finalidade de condenar ações que beneficiam a propagação de conteúdos adulterados. Outra medida adequada, é a imprensa, por meio de redes sociais e jornais, informar e capacitar a coletividade a respeito das notícias de cunho duvidoso, para que ocorra uma conscientização social sobre o tema. Ademais, a escola, através de projetos, deve orientar os alunos a como identificar e agir perante a um apontamento incerto, além de capacita-los para dispor de um senso crítico, com o propósito de cessar o desconhecimento social. Para que, dessa forma, a denúncia de Farhad Manjoo torne-se apenas um relato de uma coletividade obsoleta.