Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 11/06/2018

“O mundo se tornou mais parecido com aquele de Maquiavel”. A frase de Bertrand Russell parece fazer alusão à quantidade de notícias falsas que estão circulando na internet hodiernamente. Isso, porque as pessoas que produzem tal conteúdo calunioso e o veiculam nas redes sociais não se importam com os perigos dessa ação e são motivadas apenas pelos seus interesses pessoais, como estudado por Maquiavel. Assim, deve-se debater sobre os riscos das chamadas “fakes news” em uma era que a informação, ou até mesmo a falta dessa, circula tão rápido, para, por fim, encontrar soluções para esse problema.

A princípio, é fundamental citar que o compartilhamento desse tipo de mídia em portais como Facebook, Instagram e Twitter, representa uma ameaça à democracia brasileira. A respeito disso, uma investigação da BBC Brasil revelou que, durante as eleições de 2014, havia dezenas de perfis falsos no Facebook e os “hackers” por trás das telas disseminavam boatos para manipular politicamente usuários em troca de pagamentos. Logo, observa-se que grupos maquiavélicos utilizam da falta de vigilância epistêmica dos navegadores que, mesmo sem saber a veracidade do conteúdo, o compartilham com a sua rede de amigos, influenciando o exercício da democracia no nosso país.

Além disso, é importante mencionar a produção literária “Os Treze Porquês”, em que uma jovem passa a sofrer violência, assédio e depressão após mensagens depreciativas e mentirosas serem propagadas a seu respeito. Fora das telas e no Brasil, uma situação semelhante foi enfrentada pelos familiares da vereadora Mariele Franco, que foram vítimas das “fakes news” que os difamavam conforme crescia a repercussão do crime político. Desse modo, é possível afirmar que esse fenômeno não é um perigo apenas para o exercício dos direitos políticos, mas, também, para a integridade e saúde mental de pessoas físicas.

Destarte, medidas são necessárias para solucionar o imbróglio que as “fakes news” estão se caracterizando. Com isso, visando a diminuição desse tipo de informação circulando na internet, empresas donas de mídias sociais, como Facebook e Twitter, devem revisar os termos de serviço e segurança de seus produtos digitais e definir multas e penas severas para quem for flagrado publicando boatos. Ademais, é dever do Ministério da Educação, em parceria com a Ancine, produzir um curta metragem em que professores ensinem e expliquem como identificar se uma notícia é verdadeira para que esse seja disponibilizado em plataformas de vídeos, aumentando a vigilância epistêmica por parte de usuários da “web”. Pois, se por vias legais e com objetivos legítimos, os fins podem justificam os meios.