Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/06/2018
Na era da informação, aonde o conhecimento é disseminado universalmente e quase em tempo real, o mundo da comunicação vem enfrentando um de seus maiores desafios: a propagação das Fake News. Para efeito de esclarecimento, entende-se por Fake News informes com manipulação indevida de dados e de informações, podendo ser usados para aplicar golpes, manobrar politicamente pessoas e espalhar vírus. Infelizmente, no Brasil, este cenário é realidade, e fruto do uso imprudente das ferramentas comunicativas, adido de um Estado desprovido de uma política específica para este crime. Convém ressaltar, a princípio, que a má formação socioeducacional do brasileiro é fator determinante para sua passividade crítica, tornando-o susceptível a receber e repassar notícias sem que haja uma verificação da autenticidade da informação. Além disso, de acordo com estudo feito em 2017 pelo Digital News Report, numa parceria entre o Reuters Institute e a Universidade de Oxford, o WhatsApp, que utiliza recursos de criptografia, é um dos aplicativos de mensagens por celular mais utilizados no país. Tendo em vista que o mesmo é considerado uma das redes mais propícias para a difusão de notícias falsas, e apresenta uma velocidade extraordinária de disseminação de dados, torna-se quase impossível encontrar a origem de boatos nesse aplicativo.
Outrossim, observa-se a ausência de uma legislação brasileira específica, que regulamente a divulgação de informação pelas plataformas de conteúdo na internet. Em decorrência, constata-se uma autonomia cibernética desenfreada, com escassas formas de averiguação da veracidade do conteúdo veiculado, que somadas às raríssimas punições efetivas aos criminosos, formam um cenário propício para a desinformação. A fim de comprovar o que foi dito, verifica-se a grande geração de bots - programas que simulam ações humanas de maneira repetida em contas automatizadas - centrais para a disseminação de boatos e informações falsas nas redes sociais. Essas aplicações têm sido amplamente utilizadas para propaganda política, difusão de notícias falsas e discurso de ódio na América Latina, segundo matéria do Jornal Nexo.
Diante do exposto, faz-se necessário que o Estado estimule a conscientização e participação ativa do cidadão brasileiro no combate às Fake News, através de propagandas televisivas e palestras em escolas, as quais incentivem a verificação de fontes do material, criando assim uma “alfabetização midiática”. Também é fundamental que o Poder Executivo estabeleça parâmetros de comprometimento das redes sociais, como selos de confiabilidade e transparência, além da criação de agências de denúncia, monitoramento e análise de imparcialidade de conteúdo, reduzindo falsas notícias, e contribuindo finalmente para um mundo informativo mais neutro.