Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 19/05/2018

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da modernidade líquida vivida no século XXI. Quando se observa a questão das fake news no Brasil, verifica-se que a problemática da liquidez da informação se demonstra de maneira negativa, e persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela qualidade da informação falsa ou pelo prejuízo causado aqueles que acreditam.

Primeiramente, é notável que as notícias falsas são altamente prejudiciais as pessoas, pois causam crenças em informações incertas e a criação de uma consciência dúbia. Um exemplo disso são as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016, que foram marcadas pelo grande compartilhamento de fake news com apelo a emoções e convicções pessoais dos eleitores, causando debates baseados em boatos.

Outrossim, os rumores compartilhados na internet muitas vezes são elaborados de forma a se assemelhar em muito a uma notícia verdadeira. É nessa atenção aos detalhes e a qualidade da fake news que está um dos maiores riscos de sua veiculação, afinal, fica cada vez mais difícil distinguir a veracidade dos fatos. Além disso, a similaridade com a verdade também constitui um risco ao facilitar que as notícias falsas se propaguem no meio digital, onde as pessoas passam a acreditar com maior facilidade em mensagens do Whatsapp e Facebook, por exemplo.

Portanto, o combate à liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço do compartilhamento de fake news, deve tornar-se efetivo, uma vez que este constitui um grave problema na propagação de informação. Sendo assim, é necessário que haja parceria entre governo, empresas de checagem de dados e veículos digitais, como as redes sociais, com o intuito de conscientizar sobre o problema das notícias falsas e ensinar a população a reconhecê-las, além de oferecer mecanismos para a verificação da veracidade da informação, como passou a ser feito pelo Facebook desde 2017.