Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 22/05/2018
Segundo o pensador britânico Stuart Mill, “nunca teremos certeza de que uma ideia é realmente falsa, mas, mesmo que tivéssemos, sufoca-la, seria ainda assim um mal”. Dessa forma, o renomado autor estende a liberdade de expressão para as notícias falsas. Contudo, a censura não é a unica forma de boicotar uma informação.
É importante pontuar, de início, que as noticias falsas aviltam contra a democracia, na medida em que contribuem com a desinformação do eleitorado. Entretanto, a democracia é por definição contraditória. Tolerar até mesmo o intolerante e dar voz aos mentirosos são características inerentes ao Estado democrático de direito. Dessa forma, instituir a censura sob justificativa de proteger a informação das noticias falaciosas não é uma ideia razoável. Pelo contrário, seria esse um gesto autoritário e anti-democrático.
Todavia, é interessante frisar, também, o papel da educação e da formação de senso crítico no combate à desinformação. Diante da impossibilidade de censurar os mentirosos é válido aprimorar o discernimento dos ouvintes através do próprio jogo democrático. Se por um lado, falácias podem influenciar uma eleição, por outro, a divulgação da verdade destrói a credibilidade do mentiroso. Como já dissera Dom Pedro II, “imprensa só se combate com imprensa”. Isto é, mentiras devem ser combatidas com a verdade, já mais com a censura.
Cabe, portanto, ao governo federal e ao terceiro setor a tarefa de reverter esse quadro. O terceiro setor, composto por associações que buscam se organiza para lograr melhorias na sociedade, deve conscientizar a população sob quais notícias são falsas, propiciando a união dos veículos dos informação de maior credibilidade contra as “Fake News”. O Estado, por sua vez, deve ampliar a caga horária das disciplinas ligadas à língua portuguesa, para desenvolver, nos alunos, o pensamento crítico e a capacidade de interpretação. Dessa forma, teremos uma sociedade menos vulnerável às falácias.